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quinta-feira, novembro 26, 2009

BESOURO

BESOURO
Brasil/2009
De João Daniel Tikhomiroff
Com Aílton Carmo, Jessica Barbosa, Chris Viana, Flávio Rocha, Irandhir Santos
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1322277/
Ação

Na década de 20, os escravos já tinham sido libertados. No entanto, os coronéis ainda abusavam dos negros, perpetuando uma antiga tradição de desmandos e humilhações. Diante disso, um capoeirista que atendia pela alcunha de Besouro decide levar em frente um plano de vingança contra os responsáveis pela morte de seu mestre e os opressores de seu povo.
Tikhomiroff, em sua estréia na direção de um longa, decidiu por fazer um filme focado mais na aventura do que na concordância histórica (o filme é baseado em fatos reais). Diante desse fato, os fãs de capoeira podem se decepcionar, pois não há uma preocupação em apresentar fatos totalmente verídicos da luta brasileira. Na trama, a capoeira é apenas o instrumento de vingança de um negro, que ao mesmo tempo que é movido pela esperança de salvar seu povo, observa a intolerância e incompreensão dessas mesmas pessoas para com ele.















Besouro voando contra os coronéis

Nesse ponto, o filme vislumbra um gênero até então pouco explorado pelo cinema nacional. Assim, o filme ganha ares de uma aventura séria, movida por um toque fantástico. Afinal, Besouro faz um pacto com Exu, ganhando poderes que lhe permitem escapar de situações bastante perigosas. As cenas em que o protagonista litralmente voa ao lutar com seus inimigos tem semelhanças visuais com os filmes chineses, mas com um toque diferenciado. E assim nasce um herói, místico e genuinamente brasileiro, mas que tem todas as preocupações de seus similares.
A trama apresenta as descobertas, o isolamento, a aprendizagem e finalmente a vingança propriamente dita do protagonista. O roteiro apenas peca por não apresentar uma história mais profunda, com diálogos coesos, talvez pela falta de experiência de grande parte do elenco. A grandiosidade da trama se dá pelas situações que ocorrem, muito mais do que pelos diálogos dos personagens.














Besouro: contra ou a favor de seu próprio povo?

As cenas de ação também surpreendem pela qualidade alcançada. Mérito de Tikhomiroff, que conseguiu o responsável por várias cenas de "O Tigre e o Dragão" para que trabalhasse também em "Besouro". Tal experiência foi vital para que o filme não fizesse feio, como algumas tentativas passadas de "imitar" longas hollywoodianos de ação.
"Besouro" pode ter seus defeitos, sobretudo em interpretação e roteiro, mas é um filme necessário para a indústria nacional. A trama demonstra que nosso cinema pode alçar vôos mais significativos sem precisar de apelações televisivas ou biografias de pessoas famosas. Um pouco de ambição pode fazer com que o cenário nacional se movimente cada vez mais na busca por profissionalismo nos mais diferentes gêneros da sétima arte.

NOTA 7,5

terça-feira, novembro 10, 2009

ANALISANDO...JAMES CAMERON

ANALISANDO...JAMES CAMERON
5ª edição

A seção Analisando... pretende ressaltar características, peculiaridades e curiosidades de diretores consagrados. Muitas vezes menos famosos que seus filmes, os diretores desempenham o papel mais importante na concepção de um filme, sendo responsável direto pela maneira com que a mensagem da trama é percebida pelo espectador.

O CINEASTA REVOLUCIONÁRIO

James Cameron pode ser considerado alguém que prima mais pela qualidade do que pela quantidade. A exemplo de cineastas como Stanley Kubrick, prefere se dedicar anos a um determinado projeto com o objetivo de se obter melhores resultados. Mas o diretor não parece almejar apenas o sucesso de um filme, mas sim a carga revolucionária que sua obra pode proporcionar.
Nascido no Canadá e radicado nos Estados Unidos, Cameron poderia ter se enveredado no mundo das histórias em qaudrinhos. Mas sua atenção voltou-se para o cinema logo que viu o clássico de Kubrick, a ficção "2001, Uma Odisséia no Espaço". E com uma influência desse porte, não é a toa que o cineasta é um dos três diretores mais poderosos do cinema atual, ao lado de Steven Spielberg e Peter Jackson.

O COMEÇO DA CARREIRA

Depois de estudar Física na Universidade da Califórnia, Cameron começa a traçar seus primeiros roteiros e a se envolver com efeitos especiais. Participa dessa forma do longa "Fuga de Nova York", do cultuado diretor John Carpenter. Trabalhou também com Roger Corman em "Mercenários das Galáxias" e "Galáxia do Terror" no começo da década de 80. Um ótimo aprendizado para quem estaria futuramente acostumado a revolucionar o mundo dos efeitos especiais. Finalmente dirige seu primeiro longa: "Piranhas 2 - Assassinas Voadoras". A história, muito trash logicamente, narra os ataques de um peixe que voa e respira fora da água, devorando suas vítimas rapidamente. E para constatar seu surpreendente começo de carreira, escreve o roteiro de Rambo II - A Missão, no qual inclusive ganhou o Framboesa de Ouro de Pior Roteiro, juntamente com Sylvester Stallone e Kevin Jarre.













Cena de Aliens - O Resgate

FRANQUIAS DE SUCESSO

Em seu segundo filme, Cameron mostra uma história de humanos contra robôs. Um exterminador que vem do futuro para destruir o humano considerado essencial para uma rebelião. Com um orçamento mínimo, "O Exterminador do Futuro" prova a criatividade, cultura pop e propensão aos efeitos especiais de seu criador. A história traz um ator que seria considerado um icone de uma geração de filmes de ação: Arnold Schwarzenegger. E de quebra, Cameron se casa com a produtora executiva do filme, Gale Ann Hurd. Mais um grande desafio parou nas mãos do cineasta: a continuação de "Alien - O Oitavo Passageiro", sucesso do excelente diretor Ridley Scott. O até então iniciante Cameron não fez feio ao dirigir novamente Sigourney Weaver agora não contra apenas um alien e sim vários. Muitos consideram a melhor trama da franquia, até mesmo em relação à original do diretor de Blade Runner.










Cena de "O Segredo do Abismo"




O REI DOS ORÇAMENTOS MILIONÁRIOS


Com o sucesso de "Aliens - O Resgate", Cameron começa a alçar um novo patamar na indústria cinematográfica. Seu próximo filme, no final da década de 80, "O Segredo do Abismo", apresenta técnicas de efeitos especiais diferentes de tudo até então no gênero. O hiato de três anos entre os dois filmes demonstra o cuidado com a produção. Dois anos depois surge "O Exterminador do Futuro 2", continuação da ficção já bastante cultuada. E o diretor continua surpreendendo com uma inversão de papéis nunca antes imaginada. O show de efeitos especiais contrasta com os do filme original, criando outra dimensão para a história e abrindo caminho para outras continuações (nas quais não participou da direção) e até um seriado de televisão (Terminator: Crônicas de Sarah Connor, que se encontra na segunda temporada atualmente).

















Cena de "O Exterminador do Futuro 2"

Em 1993, Steven Spielberg lança seu Jurassic Park, com uma bilheteria milionária, até então o filme mais rentável do cinema. No ano seguinte, Cameron também faz história. Roda o filme com maior orçamento de todos os tempos: True Lies, que superou os cem milhões de dólares. A comédia de ação traz dois de seus principais astros: Arnold Schwarzenegger e Sigourney Weaver, interpretando um casal que esconde segredos um do outro, sendo que a função secreta que exercem é justamente de descobrir segredos.
Três anos depois, Cameron consegue dar mais um troco em Spielberg. A produção mais esperada do ano, Titanic, mostra o poder que o diretor alcançou. O orçamento do romance supera os duzentos milhões de dólares, quase o dobro de True Lies. Na bilheteria, o filme bate recordes e até hoje é o mais assistido nos cinemas e o maior rendimento de todos os tempos. E de quebra, faturou inúmeros prêmios, dentre eles, 11 Oscars (recorde que divide com Ben Hur e O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei). Trouxe ao estrelato sua dupla de protagonistas, Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, cujas carreiras continuam em alta. Winslet, inclusive, tem inúmeras indicações ao Oscar de melhor atriz.













Cena de "Titanic"


UMA NOVA MITOLOGIA

O maior empreendimento de James Cameron sempre foi a indústria de efeitos especiais. Sua empresa sempre tenta inovar neste campo e tem conseguido com maestria. Logo após o sucesso devastador de Titanic, Cameron começou a trabalhar em mais um projeto revolucionário.
"Avatar", que tem data de estréia no Brasil para mês que vem, demorou mais de dez anos para ser finalizado. A trama apresentará uma nova mitologia, o mundo de Pandora, na qual, pelas palavras do próprio diretor, existem mais de uma centena de espécies diferentes. O filme foi rodado especialmente para ser apresentado em 3D, tecnologia que está em ascensão. A idéia de Cameron é não só atingir um grande público no cinema, mas como alcançar outras mídias, como literatura e internet. O objetivo não é de todo original, uma vez que o seriado Lost está provando que a tendência de um mega-sucesso é mesmo essa invasão a outras formas de comunicação. "Avatar", assim como Senhor dos Anéis, é uma nova mitologia, um mundo que certamente poderá originar milhares de histórias, prato cheio para qualquer forma de entretenimento. E James Cameron já mais do que provou que tem todas as condições, talento e dinheiro para fazer uma nvoa revolução cinematográfica.

















Cena de "Avatar"


FILMOGRAFIA

2009 - Avatar
2005 - Criaturas das Profundezas (Aliens of The Deep) - curta
2003 - Ghosts of the Abyss - curta
1997 - Titanic (Titanic)
1994 - True Lies (True Lies)
1991 - O Exterminador do Futuro 2 (Terminator 2: Judgment Day)
1989 - O Segredo do Abismo (The Abyss )
1986 - Aliens, o Resgate (Aliens)
1984 - O Exterminador do Futuro (The Terminator)
1981 - Piranhas 2 - Assassinas Voadoras (Piranha 2 - The Spawning)

sexta-feira, outubro 23, 2009

DISTRITO 9

DISTRITO 9
EUA - Nova Zelândia / 2009
De Neill Blomkamp
Com Sharlto Copley, Jason Cope, Nathalie Boltt, John Sumner
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1136608/
Ficção Científica

Uma nave extraterrestre aparece na Terra e pára abruptamente em Johannesburg, na África do Sul. O governo decide alocar os alienígenas em um lugar intitulado Distrito 9. Vinte anos depois, o lugar torna-se uma favela, os alienígenas são tratados com preconceito e são extorquidos pelos negros da região, que trocam alimentos por armas. Agora é preciso entregar uma ordem de despejo para eles, que terão que se mudar para um lugar ainda pior do que estão.













Merwe tentando despejar os aliens-camarões

Esta ficção científica produzida por Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) é uma das grandes surpresas do ano. Em ritmo frenético e no estilo de falso-documentário (algo bastante original para o gênero), a trama começa de modo confuso. A profusão de personagens, que a princípio não se sabe se são importantes ou não para o desenrolar da história, ajudam a confundir o espectador. Mas quando o foco no protagonista finalmente ocorre, nas cenas que mostram as tentativas de entrega das ordens de despejo, o filme avança a passos largos. Blomkamp acerta a mão na ironia ao despejar críticas sociais na história dos alienígenas que sofrem todo tipo de retaliação.
Wikus Van de Merwe é o perfeito anti-herói. O objetivo dele não é salvar o mundo ou acabar com o inimigo. Pelo contrário, ele se une com quem irá lhe beneficiar. Seja com os humanos ou com os alienígenas. Logicamente com o tempo, a opinião dele tende para um dos lados. A inversão de papéis em relação ao demais filmes do gênero (com os humanos fazendo o papel de agressores e os forasteiros de explorados) traz outro ponto de vista, talvez até mesmo mais realista, para o comportamento humano.











Os humanos ameaçam o alienígena rebelde.

Distrito 9 não é apenas um filme divertido, um passatempo para a família no cinema. É isso também, mas vai além do que se poderia imaginar. A saga do protagonista em busca de sua identidade humana ao mesmo tempo em que vai mudando seu pensamento contra aqueles que primeiramente agride, revela um turbilhão social-psicológico da humanidade. O que nos leva a pensar que, diferentemente de outras tramas, poderíamos ser tão cruéis quanto os invasores que acostumamos a temer em filmes de Ficção Científica. E agora é só esperar pelo Distrito 10!

NOTA 9,0

quarta-feira, outubro 21, 2009

BASTARDOS INGLÓRIOS

BASTARDOS INGLÓRIOS
EUA/2009
De Quentin Tarantino (Pulp Fiction, Cães de Aluguel, Kill Bill)
Com Brad Pitt, Christoph Waltz, Mike Myers, Mélanie Laurent, Eli Roth, Diane Kruger
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0361748/
Guerra

Tarantino volta aos cinemas brasileiros em grande estilo (seu último filme a passar em grande circuito foi Kill Bill 2, pois "À Prova de Morte" ainda está inédito por aqui). Dessa vez, ele decidiu contar a história de um grupo de rebeldes judeus que constituem uma tropa que mata cruelmente soldados nazistas. Em meio a uma confraternização do alto escalão nazista, planos são traçados para uma emboscada aos alemães.















Bastardos: aqui não tem lugar pra nazista!

O filme, dividido em capítulos muito bem distribuídos, traz logicamente os elementos sempre presentes nas obras de Tarantino. A banalização da violência mostrada de uma forma caricata, as surpreendentes reviravoltas nas mudanças de caráter dos personagens, a intensificação dos diálogos sem perder o fio narrativo, mesmo que passeando por elementos alternativos à história. O sarcasmo continua sempre presente, dessa vez com o fator guerra sendo o condutor. Outro elemento presente é a inversão de papéis seja no duelo judeus x nazistas quanto no confronto heróis x vilões. No elenco, destaque absoluto para Christoph Waltz na pele do Coronel Hans Landa, intitulado o Caçador de Judeus. Ele contrasta de uma forma extrema com Shosanna, pobre judia que vê sua família sendo dizimada a mando de Landa. Brad Pitt interpreta Aldo Raine, líder dos Bastardos, mas sua atuação está aquém do esperado. Pitt está caricato assim como Waltz, porém este último esboça maior naturalidade, interpretando alguém que praticamente pede uma atuação que tende para o exagero. Destaque também para Eli Roth (diretor de O Albergue) e no quase irreconhecível Mike Myers!















Hans Landa: o caçador de judeus e o ladrão de cenas!

A invasão da França pelos alemães na segunda guerra mundial é mostrada de forma irreverente e crítica, inclusive no âmbito artístico.Temos, em duas horas e meia, um punhado de cenas que nasceram antológicas. Logicamente para quem não gosta do estilo do cineasta, a idéia de mais do mesmo é freqüente. Mas o inegável é a marca presente do diretor a cada cena, o que confirma que Tarantino continua o que sempre foi: gênio para uns, pretensioso para outros, porém extremamente peculiar.

NOTA 9,5

sábado, outubro 10, 2009

NAVIDAD


NAVIDAD
Chile/2009
De Sebastián Campos
Com Manuela Martelli, Alicia Rodríguez, Diego Ruiz
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1410207/
Drama

Alejandro e Aurora, um casal de adolescentes resolve ir para uma casa longe de suas famílias no Natal. O relacionamento entre eles está estremecido, mas com o aparecimento de uma misteriosa garota, eles começam a se acertar, à medida que os dois se apaixonam por ela.
O cinema chileno parece querer se especializar em filmes mais intimistas e não é diferente com Navidad. A trama recai no lugar comum das dificuldades de um relacionamento, mas sob um ponto de vista adolescente, em um lugar isolado.
















Alejandro, Aurora e Alícia: procurando entender seus desejos

Ao contrário de filmes como “Na Cama”, a trama gira em torno não do casal, mas sim da figura misteriosa de uma garota, que aparece perto de onde estão, dizendo que fugiu de casa após brigar com a mãe. Além disso, ela expressa o desejo de se encontrar pela primeira vez com o pai, que possui outra família. A sensação de abandono é sentida tanto interior, simbolizada pelas ameaças dos personagens de irem embora, quanto exteriormente, nas lembranças de cada um deles.
O filme consegue aprofundar na medida certa cada um dos três personagens, fazendo com que o espectador se importe e fique curioso com o destino de cada um. Nesse ponto, temos mais um acerto na parte final da trama, em que não se tenta fugir pela tangente, satisfazendo razoavelmente a curiosidade do espectador.

NOTA 7,5

terça-feira, outubro 06, 2009

ENQUETE - MELHOR FILME DENTRE OS VENCEDORES DO OSCAR DE MELHOR FILME

1°) O SENHOR DOS ANÉIS - O RETORNO DO REI - 24%
De Peter Jackson
Épico

2°) CORAÇÃO VALENTE - 24%
De Mel Gibson
Épico

3°) O PODEROSO CHEFÃO - 24%
De Francis Ford Coppola
Policial

4°) FORREST GUMP - 24%
De Robert Zemeckis
Aventura

5°) TITANIC - 24%
De James Cameron
Romance

6°) O SILÊNCIO DOS INOCENTES - 20%
De Jonathan Demme
Policial

7°) GLADIADOR - 16%
De Ridley Scott
Épico

8°) CASABLANCA - 16%
De Michael Curtiz
Romance

9°) E O VENTO LEVOU... - 16%
De Victor Fleming
Romance

10°)BEN-HUR - 12%
De Willian Wyler
Épico

11°)ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ - 8%
Dos Irmãos Coen
Policial

12°)MENINA DE OURO - 8%
De Clint Eastwood
Drama

13°)RAIN MAN - 4%
De Barry Levinson
Drama

14°)OS IMPERDOÁVEIS - 4%
De Clint Eastwood
Faroeste

15°)LAWRENCE DA ARÁBIA - 4%
De David Lean
Épico

segunda-feira, outubro 05, 2009

ACONTECEU EM WOODSTOCK

ACONTECEU EM WOODSTOCK
EUA/2009
De Ang Lee (O Tigre e o Dragão, Hulk, Razão e Sensibilidade, O Segredo de Brokeback Mountain)
Com Henry Goodman, Imelda Staunton, Emile Hirsch, Paul Dano, Jeffrey Dean Morgan
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1127896/
Comédia

A nova trama de Ang Lee, baseada no livro de Elliot Tiber, conta a história de um jovem (o próprio Elliot) que renega uma vida na cidade grande para assumir um hotel quase falido na pequena cidade onde os pais moram. Decidido a trazer hóspedes para o estabelecimento, resolve viabilizar um evento musical de grandes proporções que estava sendo recusado em vários lugares. Mas o que ele imaginava ser um festival de poucos milhares de pessoas, acabou se tornando um gigantesco movimento que culminou na presença de meio milhão de espectadores, revolucionando toda uma geração de jovens. O filme tem estréia prevista dia 6 de novembro, mas está passando atualmente no Festival do Rio.
Ang Lee não apenas se preocupou em contar como foram os bastidores de Woodstock. Mas também resolveu se aprofundar na história de um jovem tímido, com uma mãe dominadora (que rouba a cena em vários momentos!). A ironia está presente em todo o ponto central do filme, onde o protagonista está prestes a tornar um evento, que prega a liberdade de pensamento, possível de ocorrer, ao mesmo tempo em que ele mesmo necessita dessa mesma liberdade. Logo, não é apenas a independência financeira que importa para ele. Mesmo que inconscientemente, ele terá um aprendizado que exemplifica a importância do movimento para o mundo, que estava em meio a Guerra Fria e ao envio de jovens ao Vietnã. O cineasta conseguiu adentrar a filosofia geral do evento, individualizando pensamentos, mostrando situações únicas em que ajuda o espectador a visualizar com outra perspectiva todos os acontecimentos. Nesse ponto, roteiro e direção entraram em franca sintonia.















O manager Michael Lang e o pacato Elliot Tiber: fazendo negócios

Por outro lado, cenas forçadas e desnecessárias continuam presentes, como em filmes anteriores, remetendo o cineasta a obras de Gus Van Sant onde às vezes uma estética pré-definida se sobrepõe ao andamento do roteiro. Em certos pontos, às vezes é melhor dosar a imaginação criativa para não cair em um exagero estético que foge ao propósito da história.
Em contrapartida, a trilha sonora que poderia ser muito mais rica, aparece de forma completamente tímida para um filme do gênero. Somando-se o fato de não termos imagens dos shows do evento (nem reais nem interpretados), o filme ainda não constrói uma imagem solidificada do aspecto musical de Woodstock. E nesse ponto, perde-se na falta de riqueza de detalhes. Ainda assim, Ang Lee dispensa a pretensão puramente filosófica de seus outros filmes para realizar uma obra que diverte a maioria do tempo ao mesmo tempo em que nos ensina elementos como amizade e perseverança.

NOTA 8,0