sexta-feira, março 04, 2016
CINCO GRAÇAS
França-Alemanha-Turquia-Qatar/2015
De Deniz Gamze Ergüven
Com Günes Sensoy, Doga Zeynep Doguslu, Tugba Sunguroglu, Elit Iscan, Ilayda Akdogan
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com.br/title/tt3966404/?ref_=fn_al_tt_1
Drama
Quando cinco garotas órfãs são vistas brincando inocentemente com garotos na praia, há um escândalo entre as pessoas mais conservadoras da pequena cidade onde vivem. Com isso, sua família decidem privá-las de liberdade e arranjam casamentos forçados para elas.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, é baseado no longa “As Virgens Suicidas”, de Sofia Coppola. Dessa vez, as garotas protagonistas são turcas, sob um regime altamente conservador, aumentando a carga dramática da história.
Vamos fazer um diário de adolescente?
Desde o início, o espectador acompanha a vida das cinco irmãs, que sonham simplesmente em conseguir ter o rumo de suas vidas, controladas rigidamente por sua família. A cumplicidade entre elas é vista tanto nas brincadeiras quanto nas situações difíceis, onde tentam driblar o confinamento.
A história segue com as tentativas delas escaparem de um domínio que elas não concordam, mas que estão presas a ele, socialmente e também religiosamente. Os casamentos arranjados trazem a desesperança de conseguir a liberdade tão almejada, que muitas vezes é vinculada à fuga para capital, Istanbul.
“Cinco Graças” é um filme dinâmico, envolvente e que não leva muito tempo para mostrar a que veio, traduzindo na vida de cinco garotas inocentes uma discussão de opiniões diferentes e até onde pode haver controle da vida das pessoas por seus fundamentos culturais.
NOTA 8,0
quarta-feira, setembro 09, 2015
O PEQUENO PRÍNCIPE
França/2015
De Mark Osborne (Bob Esponja: O Filme, Kung Fu Panda)
Com Rachel McAdams, Marion Cottilard, Benicio Del Toro, James Franco, Paul Rudd, Paul Giamatti, Jeff Bridges, Ricky Gervais, Vincent Cassel
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1754656/?ref_=fn_al_tt_1
Animação
Um piloto cai com sua aeronave em um deserto e encontra um misterioso garoto que diz ter vindo de um distante planeta.
Confira abaixo o trailer do filme:
Baseada na obra que é considerado o segundo livro mais vendido de todos os tempos (e até pouco explorado no cinema), este filme conta de forma original a história conhecida por todos, mantendo as mesmas linhas de pensamento e as mensagens existenciais.
A história parte do ponto de vista de uma menina, altamente controlada pela mãe para ser um exemplo de profissional. Para isso, ela passa por um treinamento extremamente metódico, que a afasta de ser criança para aproximá-la cada vez mais dos adultos.
"Se é um dos livros mais lidos, porque nunca ouvi falar, senhor?"
Nesse ponto, a garota conhece o seu novo vizinho, justamente o aviador que se perdeu no deserto e conheceu o pequeno príncipe. Deste ponto em diante, temos a história dentro de outra história, com uma apresentação mais corriqueira da obra de Antoine de Saint-Exupéry e mais detalhada da história original.
Recheado de conceitos mais sérios, o filme só não parece focar muito nas crianças e sim nos adultos, o que pode gerar uma certa frustração para os pequenos espectadores. Porém, é um filme que honra os elementos essenciais que fizeram “O Pequeno Príncipe” ser um clássico da literatura mundial.
NOTA 8,5
terça-feira, junho 16, 2015
O SAL DA TERRA
França-Brasil-Itália/2014
De Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado (A Letra Escarlate, Paris Texas, Asas do Desejo, Buena Vista Social Club, Estrela Solitária)
Com Sebastião Salgado, Wim Wenders, Juliano Ribeiro Salgado
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3674140/?ref_=fn_al_tt_1
Documentário
Por mais de 40 anos, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado tem viajado pelo mundo registrando as grandes mudanças da humanidade.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme, indicado ao Oscar de Melhor Documentário, acompanha a trajetória de um dos maiores fotógrafos do mundo, que coincide com vários marcos da história. Sua obra é composta basicamente de fotos em preto e branco magistralmente orquestradas para apresentar um painel que simplesmente compõe a vida humana.
Você já foi em Paris ou Texas?
Por meio das fotografias e de entrevistas com o fotógrafo e seus familiares, Wim Wenders mostra como a força das imagens afetou a própria vida de Sebastião Salgado. O espectador acompanha quadro a quadro as explicações dos ângulos e os sentimentos conflitantes que moldaram a vida do realizador.
O documentário exalta tanto as qualidades de Salgado com uma arte na qual não foi a sua primeira escolha profissional quanto as mudanças feitas em decorrência desta arte. As imagens registradas por ele são muito fortes, sobretudo de crianças africanas afetadas pela fome. O mundo apresentado por Salgado é assustadoramente real e impactante.
“O Sal da Terra” apresenta ao espectador momentos de reflexão, no qual todos se questionam qual o papel do ser humano na Terra. Um filme que pela sua grandiosidade merece todos os prêmios que conquistou e mereceria ter conseguido muito mais.
NOTA 9,5
quarta-feira, setembro 17, 2014
LUCY
(Lucy)
França/2014
De Luc Besson (Nikita – Criada para Matar, O Profissional, O Quinto Elemento, Joana D’arc, A Família)
Com Scarlett Johansson, Morgan Freeman, Min-sik Choi, Amr Waked
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2872732/?ref_=nv_sr_1
Ação
Uma mulher acidentalmente contrai uma grande quantidade de drogas que permitem ela otimizar seu cérebro em mais de 10%, média comum aos humanos, segundo hipótese do professor Norman, renomado estudioso. A medida que sua capacidade cerebral vai crescendo, ela se envolve em uma trama de descobertas e vingança.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme dirigido pelo francês mais hollywoodiano que existe, Luc Besson, esbanja suas principais características: a figura central feminina e perigosa, ao estilo de Nikita, aliado ao estilo peculiar e excêntrico de filmes como “O Quinto Elemento”. E tudo em um filme de ação bem orquestrado, com uma ótima dinâmica e trilha sonora.
Vou te conduzir até o Batman!
A premissa do filme já pede várias cenas inverossímeis, mas de qualquer forma tudo é contornado por um enredo altamente veloz e com muito humor negro. Além de trazer alguns conceitos interessantes de metafísica e reflexão da humanidade, logicamente bastante leves, pois o objetivo é a mera diversão de todo bom blockbuster.
Luc Besson ainda tem dois grandes trunfos: as ótimas interpretações de Scarlett Johansson e Morgan Freeman, que compõem essa trama de absurdos na medida certa. E ainda por cima a duração do filme é condizente com o que le propõe, ao contrário de “Transcendence”, apenas para estabelecer uma analogia com outro filme que possui ideias parecidas.
“Lucy” é um ótimo entretenimento, apesar de algumas cenas desnecessárias e de uma trama de vingança que poderia ser melhor aproveitada. Porém, o filme é bastante envolvente e com um final apoteótico, do estilo que o cineasta francês gosta.
NOTA 8,0
quinta-feira, setembro 04, 2014
ATÉ A ETERNIDADE
França/2010
De Guillaume Canet (Meu ídolo, Não Conte a Ninguém, Laços de Sangue)
Com François Cluzet, Marion Cottilard, Jean Dujardin, Benoît Magimel
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1440232/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia
Depois de um acidente quase fatal que faz um dos amigos de um grupo ficar no hospital, o restante decide aproveitar as férias anuais enquanto esperam novidades.
Confira abaixo o trailer do filme:
O ator e cineasta Guillaume Canet filmou esse grande sucesso nos cinemas franceses contando com um elenco magistral, incluindo François Cluzet (Os Intocáveis), Jean Dujardin (O Artista) e Marion Cottilard (Trilogia Batman). A trama, mesclando humor e drama, mostra o relacionamento entre um grupo de amigos, tendo como ponto de partida um terrível acidente com um deles.
Não preciso de ninguém cuidando de mim!
A história é bastante interessante e tem várias cenas impagáveis e hilárias, porém peca em dois quesitos. Um deles é sua longa duração, cerca de duas horas e meia, bastante exagerada para o que o diretor se propõe a contar, tendo cenas desnecessariamente longas e diálogos que poderiam ser cortados. O outro ponto é que apesar do tempo ser mais que suficiente, não há um trabalho essencialmente equilibrado entre todos os membros do grupo de amigos no tocante à personalidade e comportamentos de cada um. O que filmes e séries como “Friends” fizeram tão bem, onde cada um tem seu espeço bem aproveitado, aqui o que notamos é que o mote gira quase em sua maior parte do tempo em uma revelação feita de um amigo para o outro logo no início do filme.
Por toda a trama, alguns personagens mostram-se caricatos demais e pouco aproveitados, em contrapartida com outros que parecem ser o centro das atenções. Como é o caso do personagem Max, brilhantemente interpretado por François Cluzet. O sujeito mal humorado, que tem que lidar com uma revelação bombástica, é sinônimo de uma série de situações engraçadas e imprevisíveis.
“Até a Eternidade” cumpre seu papel de divertir, aborda temas interessantes, porém poderia ter sido um pouco mais enxuto. De toda a forma, é um agradável exemplo do novo cinema francês, mostrando que temas delicados também podem ser abordados dentro da comédia.
NOTA 7,5
quarta-feira, abril 23, 2014
AZUL É A COR MAIS QUENTE
França-Bélgica-Espanha/2013
De Abdellatif Kechiche (Vênus Negra, O Segredo do Grão)
Com Léa Seydoux, Adèle Exarchopoulos, Jérémie Laheurte, Alma Jodorowsky
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2278871/?ref_=fn_al_tt_1
Romance
A vida da adolescente Adèle sofre uma grande mudança quando ela conhece Emma, uma jovem mulher de cabelo azul e mais velha que ela. As duas começam um tórrido romance na qual a vida de nenhuma das duas será a mesma.
Confira abaixo o trailer do filme:
O diretor Abdellatif Kechiche é conhecido por esmiuçar detalhadamente o objeto principal de estudo de seus filmes. Foi assim com “Vênus Negra”, onde os espectadores acompanhavam em todos os detalhes a vida de uma mulher vendida para um circo. Em “Azul é a cor mais Quente” desta vez o cineasta propõe uma análise da descoberta sexual adolescente, mais especificamente do romance entre as protagonistas.
Posso te encontrar meia-noite em Paris?
A trama envereda pela história de Adèle, que inicialmente tem um envolvimento com Thomas, porém ao não se sentir à vontade com o jovem e perceber a atração por uma colega da escola, Adèle passa a se transformar cada vez mais, até conhecer Emma. Em um nível altamente detalhado da história (mas nunca monótono), o romance entre as duas protagonistas só começa a acontecer na segunda hora de filme.
O foco da história é mostrar o amor entre as duas jovens, por isso mesmo cenas típicas de filmes desse gênero, como os dramas ocorridos pela descoberta da sexualidade de Adèle pela família dela ou mesmo o romance anterior de Emma e seu desfecho são simplesmente ocultos do espectador, porém facilmente deduzíveis.
Ao longo de suas três horas, o filme francês poderia facilmente ter sofrido uma edição mais enxuta, principalmente na segunda metade, onde o interesse do espectador já sofre alterações devido ao rumo que a história toma. Quanto às polêmicas cenas entre as duas atrizes, compõe bem a história e expõe sem medos e com extremo realismo o amor que as duas jovens tem uma pela outra. O vencedor de Cannes 2013 merecia muito mais sorte no Oscar (principalmente na atuação de Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos) e sem dúvida é o melhor filme estrangeiro de 2013, mesmo com bons filmes no ano, como “A Caça”.
NOTA 9,0
quarta-feira, setembro 04, 2013
QUAL É O NOME DO BEBÊ
(Le Prénom)França/2012
De Alexandre de La Patellière e Matthieu Delaporte (La Jungle)
Com Patrick Bruel, Charles Berling, Guillaume de Tonquedec, Judith El Zein
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2179121/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia
Vincent, que está prestes a se tornar pai, vai em um encontro na casa da irmã, onde também está presente o marido dela, seu melhor amigo e sua esposa. O que seria um encontro agradável entre amigos torna-se tenso ao Vincent revelar o nome que pretende dar ao seu filho: Adolphe.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme, assim como "Deus da Carnificina", de Roman Polanski, é praticamente todo passado em um único cenário. O tom teatral está presente em toda a trama e o que já era bom no filme de Polanski fica bem melhor neste longa francês.
O princípio é o mesmo: uma reunião que começa com agradavéis conversas, recheada por civilidade, acaba por se revelar extremamente desconfortável e aos poucos os personagens descobrem histórias inconfessáveis até então. E tudo partindo de uma simples revelação: o nome da futura criança de Vincent.
"Éramos pra estar discutindo o nome do bebê ou a briga de nossos filhos?"
Com tons de humor na medida certa e com cada um dos personagens se sobressaindo em momentos diferentes, as quase duas horas de duração passam despercebidas. O filme discute vários conceitos como ética, omissão, pré-julgamentos, conformidade e preconceitos. E ainda mostra o retrato de uma família qualquer, com suas manias, segredos, intolerâncias e discussões.
NOTA 9,0
sexta-feira, março 15, 2013
DENTRO DA CASA
(Dans la maison)
França/2012
De François Ozon (8 Mulheres, Swimming Pool - À Beira da Piscina, O Amor em 5 Tempos, Potiche - Esposa Troféu)
Com Fabrice Luchini, Ernst Umhauer, Kristin Scott Thomas, Emmanuelle Seigner
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1964624/
Drama
Germain é um professor desiludido com suas turmas que mal sabem redigir uma redação. Ele fica surpreso quando um aluno, Claude, escreve uma história perfeita do ponto de vista gramatical e ortográfico. O professor descobre então que o aluno deseja contar uma história que ele supostamente está vivenciando, que consiste em forçar uma amizade com outro aluno para entrar na intimidade da família dele. Germain se vê completamente imerso na história, estimulando Claude a causar mais situações com a família do novo amigo dele.
Confira no link abaixo o trailer do filme:
http://www.youtube.com/watch?v=WcxbxKQ_TAg
O filme francês surge como uma das melhores tramas do ano passado. O misto de tensão e curiosidade extrema vivida pelo professor é passada para o espectador, que parece compartilhar o desejo de que o aluno entre cada vez mais no seio de uma família que parecia perfeita, mas na verdade não é tanto assim.
"Será que estão vendo Simpsons?"
Aos poucos, notamos que o professor tende a manipular o aluno para que ele escreva mais o texto viciante,o que significa novas investidas na amizade forjada com o outro aluno, na obsessão pela mãe deste e pela repulsa ao marido dela. Só que na verdade o aluno também exerce um poder de manipulação ao professor, sempre caminhando por vertentes que ele sabe que o professor vai se interessar e exigir um aprofundamento da situação.
Essa disputa permeia toda a trama, inclusive com dúvidas a respeito da veracidade da história do aluno. O efeito dúbio dos personagens e das histórias contadas por eles, fazem com que o espectador fique atento a todo momento, trazendo reflexões sobre os conflitos sociais e éticos que surgem durante todo o filme.
NOTA 9,5
quarta-feira, janeiro 23, 2013
PARIS-MANHATTAN
(Paris Manhattan)
França/2012
De Sophie Lellouche (Dieu, que la nature est bien faite!)
Com Alice Taglioni, Patrick Bruel, Marine Delterme, Michel Aumont
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1885331/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia
Alice é uma mulher que nunca se ajustou na vida. Ela ganha a vida como farmacêutica e mantém conversas com seu grande ídolo e amigo imaginário, Woody Allen. Ela vê a irmã ter uma vida aparentemente perfeita de casada e seu pai tentando arrumar um marido para ela. Até que ela conhece Victor, que pode tirá-la de sua estranha e solitária vida.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme desde o começo não invoca Woody Allen à toa. Suas características de direção e roteiro estão todas lá: os diálogos longos e rápidos em torno de uma única cena, o sarcasmo diante de uma família disfuncional, a comédia sutil diante de tipos cotidianos. A diretora Sophie Lellouche consegue passar a mesma atmosfera que o ídolo de sua protagonista. As citações de seus filmes não são poucas e até mesmo uma grande surpresa no decorrer do longa.
"Esta é Melinda, somos o noivo neurótico e a noiva nervosa, praticamente celebridades!"
Porém, faltou um conteúdo melhor trabalhado para justificar a história. Ao longo de suas curtas 1h17min, dá a impressão que o filme só foi criado como homenagem a Woody Allen. A história é simples e pela falta de ousadia acaba esbarrando no mais do mesmo. Ainda assim, é divertido acompanhar os segredos de uma família aparentemente correta indo à tona ao passo que a protagonista parece finalmente encontrar sua alma gêmea. Uma comédia romântica correta e sem pretensões.
NOTA 7,0
quarta-feira, janeiro 09, 2013
HOLY MOTORS
(Holy Motors)
França-Alemanha/2012
De Leos Carax (Os Amantes de Pont-Neuf, Tokio!, Mauvais sang)
Com Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes, Kylie Minogue
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2076220/?ref_=sr_1
Drama
Monsieur Oscar tem um trabalho no mínimo peculiar: ele anda pela cidade a bordo de uma limusine, parando em diversos lugares no qual encarna diversos personagens: um mendigo, um monstro, um assassino, dentre outros papéis.
Confira abaixo o trailer do filme:
Leos Carax constrói um mosaico de situações para mostrar as diversas máscaras do ser humano. O mesmo sujeito interpretando papéis tão diferentes entre si sugere a variedade de personalidades que um homem pode encarnar, sem ninguém (até mesmo ele) saber qual a verdadeira.
"Acho que deveria estar no filme 'O Hobbit'!"
Não espere de Holy Motors um filme comercial. Pelo contrário, a trama é subjetiva e por vezes cai na monotonia. Em contrapartida, as diferentes situações, muitas vezes contraditória, aguça a curiosidade do espectador pelo mistério da história. A limusine branca que Oscar usa para trocar de personagem soa como um camarim de teatro, onde o palco é a própria vida. Nesse momento de transição, é o único período em que o espectador tem pistas do verdadeiro Oscar. E de quebra forma uma ligação entre histórias tão diversificadas que poderiam soar como várias esquetes reunidas.
Holy Motors é um daqueles filmes que você não se diverte e sim se intriga. Faz você refletir, mas muitas vezes não chegar a nenhuma conclusão. Suas cenas ora contidas ora exageradas até chegar em um final totalmente diferente e absurdo contém mais dúvidas que respostas. Talvez seja isso que Leos Carax quis passar com sua excêntrica trama.
NOTA 5,0
quarta-feira, dezembro 19, 2012
E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS?
(Et si on vivait tous ensemble?)
França/2011
De Stéphane Robelin (Real Movie, Pile ou face, Rue des Morillons)
Com Guy Bedos, Daniel Brühl, Geraldine Chaplin, Jane Fonda, Claude Rich, Pierre Richard
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1674057/
Comedia Dramática
Annie, Jean, Claude, Albert e Jeanne são amigos de longa data. Quando um deles corre o risco de ser internado pela família em um asilo, eles decidem morarem juntos, tentando superar os problemas que cada um enfrenta.
Confira abaixo o trailer do filme:
A trama consegue reunir um ótimo elenco veterano, incluindo Jane Fonda e Geraldine Chaplin, que coloca o filme no rumo certo, mesmo com cenas clichê em um gênero muito batido: a relação entre velhos amigos com o passar dos anos (vide As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand, além do recente O Exótico Hotel Marigold).
"Vamos fundar o Clube dos Cinco?" "Acho que já inventaram isso na década de 80!"
O filme leva o tema com humor leve e descontraído, com algumas cenas dramáticas fazendo contraste. Ao longo da história, vários segredos do relacionamento da turma são descobertos e temas como traição e tolerância são discutidos. Além disso, temos a figura de um jovem que contrasta em idade e experiência com o grupo de protagonistas. A relação entre ele e o grupo se transformará em um grande aprendizado para ele.
“E Se Vivêssemos todos Juntos” traz uma onda nostálgica que agradará tanto as pessoas mais velhas, pelo saudosismo, quanto às mais novas, pela curiosidade e demonstração que a amizade pode ser mais forte que qualquer outra coisa.
NOTA 8,0
quarta-feira, dezembro 12, 2012
INTOCÁVEIS
(Intouchables)
França/2011
De Olivier Nakache, Eric Toledano (Nos jours heurex, Tellement proches, Je préfère qu'on reste amis)
Com François Cluzet, Omar Sy, Anne Le Ny, Audrey Fleurot
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1675434/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia
A história real e improvável da amizade entre Philippe, um paraplégico milionário e Driss, um jovem de família humilde e com antecedentes criminais.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme é um dos maiores sucessos da França em 2012. Com cenas fortes, mas sempre tendendo para a descontração, a trama consegue atingir os mais diversos tipos de público. Logo no início, podemos notar que a história não terá a delicadeza que seria considerada típica para um filme que aborda diversos temas difíceis como o preconceito e a busca por aceitação na sociedade.
Tal busca pode ser atribuída para os dois protagonistas. Um pela situação em que se encontra logo após o acidente que o deixou sem movimentos do pescoço para baixo. O outro por ser negro, pobre e com passagens pela polícia. Porém, mesmo com tais dificuldades, os dois conseguem se divertir e passar por cima de quaisquer problemas que tenham.
Phillipe: "Miss Daisy ficaria com inveja!"
Ao mesmo tempo em que se aproveita de cenas clichê do cinema, a história apresenta situações que beiram o humor negro, que faz com que se diferencie dos demais filmes do gênero. Temos as lições de moral, as cenas típicas de filmes sobre amizade, porém contada de uma maneira nada melodramática. Ponto para os diretores.
"Intocáveis" é uma grata surpresa do cinema francês, que entrega uma trama dinâmica e enriquecedora,
fazendo o espectador se divertir e refletir ao mesmo tempo. Mistura ideal para um filme comercial de respeito.
NOTA 9,0
quarta-feira, novembro 07, 2012
7 DIAS EM HAVANA
(7 días en La Habana)
França - Espanha / 2012
De Laurent Cantet, Benicio Del Toro, Julio Medem, Elia Suleiman, Juan Carlos Tabío, Pablo Trapero e Gaspar Noé
Com Josh Hutcherson, Daniel Brühl, Emir Kusturica, Elia Suleiman, Melissa Rivera
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1797348/
Drama
Uma seleção de 7 histórias passadas em Havana, Cuba, cada uma dirigida por um cineasta diferente, contando as diferentes nuances sociais, econômicas e religiosas da cidade.
Confira abaixo o trailer do filme:
O cinema já homenageou Paris e Nova York nesse formato e, como sempre, o resultado é de altos e baixos. Por mais que uma ou outra história tenha fatos interligados, não há uma identidade única permeando todo o filme, até por conta das diferentes características dos diretores envolvidos no projeto.
Temos entre as melhores histórias a do argentino Pablo Trapero (do recente "Elefante Branco") que dirige "Jam Session", narrando a visita do cineasta sérvio Emir Kusturica (interpretando ele mesmo) para receber um prêmio, porém ele tenta escapar do ambiente refinado da premiação para cair num cenário financeiramente empobrecido mas musicalmente rico: um fundo de quintal freqüentado por seu motorista.
O curta de Laurent Cantet (do elogiado "Entre os Muros da Escola") traz a religiosidade presente na vida do povo de Havana. Uma mulher de santo tem uma visão e faz com que toda a comunidade realize uma festa em homenagem à virgem. Com seu humor sutil, também consegue se destacar.
Emir Kusturica: "Acho que vou fazer um filme: 7 dias na Sérvia"
O ator Benicio Del Toro dirige "El Yuma", que conta a história da visita de um ator que se atrapalha com o idioma e os costumes de Cuba. Divertido, porém não muito conclusivo.
O diretor palestino Elia Suleiman dirige "Diário de um Principiante", onde ele mesmo se interpreta como um turista intrigado com os costumes locais. Tem algo de Mr.Bean por fazer rir sem diálogos.
"A Tentação de Cecilia", em que uma mulher se vê dividida entre viajar com um francês ou ficar com seu namorado cubano; "Doce-amargo", em que os pais de Cecilia reforçam o orçamento familiar confeccionando doces; e "Ritual", de Gaspar Noe (do polêmico "Irreversível"), em que mostra uma espécie de exorcismo em uma garota flagrada com outra mulher pelos pais, completam o filme, sem grandes destaques.
NOTA 6,0
quarta-feira, agosto 22, 2012
NA ESTRADA
NA ESTRADA (On The Road)
França-Reino Unido-EUA-Brasil/2012
De Walter Salles (Central do Brasil, Diários de Motocicleta, Água Negra, Abril Despedaçado, Terra Estrangeira)
Com Kristen Stewart, Amy Adams, Kirsten Dunst, Viggo Mortensen, Steve Buscemi, Terrence Howard, Sam Riley, Alice Braga, Garrett Hedlund
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0337692/
Drama
Sal Paradise é um aspirante a escritor que conhece Dean Moriarty, um ex-presidiário. Os dois caem na estrada, descobrindo como lidar com o mundo que os cerca, transformando-os física e emocionalmente.
Confira abaixo o trailer do filme:
Baseado na obra de Jack Keroauc, o novo filme de Walter Salles baseia-se na relação de dois amigos em um estilo cinematográfico que o cineasta já provou que domina: o dos road-movies. Com uma história forte, com personagens polêmicos e controversos, Salles parece já começar com o jogo ganho. Ainda mais apoiado por um elenco forte, com participações especiais do porte de Steve Buscemi e Viggo Mortensen.
Os dois personagens principais têm personalidades distintas, o que é bem mostrado na trama. Sal é o mais centrado, sério e observador. Dean é o mais louco, polêmico e impulsivo. Os dois cultivam uma amizade que a cada novo personagem que aparece, mais vão descobrindo sobre suas vidas, seus comportamentos e ideais.
Será que ele é um vampiro ou um lobisomem?
Como adaptação, o filme não mostra uma química tão forte entre os dois amigos, talvez pela condução do roteiro ou inexperiência dos atores, porém a ideia principal de Salles parece ter sido a de entender (trazendo respostas ou não) a mente dos jovens naquela época conturbada. E isso ele consegue.
"Na Estrada" é um ótimo road-movie, feito por quem é mestre no estilo, cativa o espectador que percorre os caminhos tortuosos, libertários e surpreendentes dos protagonistas e passa toda aquela agitação vivida pelos jovens da década de 50. Pode ser criticado por ter a responsabilidade de adaptar uma obra forte e polêmica, considerada uma das 100 melhores obras da literatura inglesa do século passado. Porém, enquanto filme, é mais um ótimo filme no currículo de Salles.
NOTA 8,5
terça-feira, junho 12, 2012
DEUS DA CARNIFICINA
(Carnage)
França-Alemanha-Polônia-Espanha/2011
De Roman Polanski
Com Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C.Reilly
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1692486/
Comédia
O filho do casal Penelope e Michael é agredido pelo filho do casal Nancy e Alan. Os dois casais se encontram na casa de Penelope para discutir a melhor forma de lidar com essa situação. Porém, aos poucos, o clima amistoso dá lugar ao caos e ao desespero, saindo totalmente do controle.
Confira abaixo o trailer do filme:
Polanski, depois do ótimo "O Escritor Fantasma", apresenta mais uma de suas obras primas. Munido de quatro excelentes personagens conduzidos por um brilhante elenco, Polanski discursa sempre de forma sarcástica sobre o jeito politicamente correto dos dias atuais, dos discursos humanitários que soam vazios e clichês, da violência que está no íntimo de todo ser humano e pode vir à tona até mesmo em uma situação do cotidiano como a apresentada na premissa do filme.
"Não é porque vocês ficam nesse silêncio dos inocentes que nós não seremos bastardos inglórios!"
Utilizando-se ainda do paradigma das pessoas que não conseguem sair de dentro de uma casa, pois estão presas por suas próprias atitudes, curiosidades e direitos de resposta, Polanski estabelece uma analogia com sua própria vida. Afinal, os dois casais encontram-se naquele momento incapazes de sair daquela casa para o exterior, no caso Nova Iorque, algo que o próprio diretor não pode desfrutar, já que se encontra exilado há anos na Europa.
Com personagens de personalidade forte, como uma exímia defensora dos direitos humanos (Jodie Foster), um sujeito simplório e bruto (John C.Reilly), um advogado ocupado (Christoph Waltz) e uma mulher neurótica e descontrolada (Kate Winslet), os momentos de brilho se alternam entre eles. A calmaria dos primeiros momentos mostra o quanto há pessoas que vivem de aparências. Quando a impaciência e as situações de descontrole acontecem, a verdade surge e com ela as emoções entram em descompasso. "Deus da Carnificina" mostra que um único cenário e quatro excelentes atores em um roteiro genial compensa qualquer efeito especial, direção de arte, efeitos sonoros ou qualquer outra modernidade tecnológica que os blockbusters sempre perseguem.
NOTA 9,5
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
O ARTISTA
(The Artist)
França/2011
De Michel Hazanavicius (Mes Amis, Agente 117, OSS 117: Rio ne répond plus, Les infidèles)
Com Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, Malcolm McDowell, James Cromwell
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1655442/
Comédia / Romance
O astro do cinema mudo George Valentin conhece a aspirante à atriz Peppy Miller. Os dois começam a se apaixonar, porém ele é casado e a vida dos dois se separam. Quando o cinema falado começa a entrar em moda, ela é alçada à fama, enquanto ele se vê arruinado.
Confira abaixo o trailer do filme:
O filme mudo e em preto e branco surpreende e faz uma grande homenagem à primeira geração do cinema, onde os gestos e expressões eram mais importantes que palavras. Utilizando-se de metalinguagem, a trama conta a história da dupla de protagonistas que seguem lados diferentes, o cinema mudo e o falado.
"Ainda bem que tenho um cachorro, um papagaio nunca faria sucesso em um filme mudo!"
Apesar de diferentes e até mesmo antagônicos, nenhum dos dois caminhos é rebaixado. Michel Hazanavicius parece querer demonstrar que um filme preto e branco e mudo ainda pode ter lugar em meio a tantas produções cheias de efeitos especiais.
O elenco está sensacional, a trilha sonora conduz o filme, como tem que ser em um filme mudo, há cenas antológicas como a do som invadindo a vida de George Valentin no camarim. Além do espectador poder conferir alguns astros sumidos, como Malcolm McDowell (Laranja Mecânica). Uma bela homenagem e um dos melhores filmes de 2011, o que também não é tarefa nada difícil.
NOTA 9,0
domingo, janeiro 29, 2012
O GAROTO DA BICICLETA
O GAROTO DA BICICLETAConfira abaixo o trailer do filme:
Em cerca de 1h20min, esse filme francês mostra sem rodeios o que deseja contar: a vida conturbada de um garoto que só conhece a solidão e o abandono. Sua única esperança de algo parecido com um lar depende da aceitação de um pai ausente e a princípio sem planos de conviver com o filho. Enquanto isso, uma mulher tenta aprender a lidar com os problemas do garoto ao mesmo tempo que vê sua vida mudar com a chegada da criança. Suas preocupações e ânsias são típicas de uma mãe, algo que o garoto precisa aprender a reconhecer. O caminho para os dois personagens alcançarem seus objetivos (que se pode resumir na busca de um lar verdadeiro) é contado de forma seca, porém sincera e assustadoramente real.

"Por que não quiseram fazer um filme O Garoto da Moto?"
sexta-feira, maio 15, 2009
ENTRE OS MUROS DA ESCOLA
ENTRE OS MUROS DA ESCOLA(Entre Les Murs)
França/2008
Direção: Laurent Cantet (Em Direção ao Sul, A Agenda, Sanguinaires - A Ilha do Fim do Milênio)
Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Juliette Demaille
Principais Prêmios: Indicado ao Oscar 2009 de Melhor Filme Estrangeiro, Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1068646/
Drama
A escola foi revivida na história do cinema de diversas formas, muitas delas marcantes. A luta contra o tradicionalismo e a liberdade de pensamento foram destaques em "Sociedade dos Poetas Mortos", talvez o melhor filme do gênero. A violência, preconceito e miséria nas salas de aula pode ser vista em "Mentes Perigosas" e "Ao Mestre com Carinho". Nesta boa trama, "Entre os Muros da Escola", vemos algo tão conflitante quanto os outros fatores já mencionados. Trata-se de algo vivido no dia-a-dia pela maioria dos professores: os diversos tipos de comportamento e personalidade dos alunos. Esse fator é dificultado ainda mais pela diferença de culturas e descendências.
A história mostra logo no início, através de uma reunião de professores, que o foco a ser seguido é a rotina diária de uma escola mediana francesa. Sem heroísmos exacerbados, discursos irreais e acontecimentos fantasiosos. Nada mais que o cotidiano de um grupo docente, protagonizado pelo professor de francês de uma turma marcada pela pluralidade. Há diversos arquétipos: desde o japonês que é o melhor da turma, passando pela orgulhosa representante de turma até os tradicionais bagunceiros que se sentam nas últimas fileiras.

A Escolinha do Professor Marin
As aulas de francês do professor François Marin são marcadas por um tom liberal, onde há uma grande interatividade com os alunos. Eles são incentivados a opinar sobre vários assuntos, não necessariamente da matéria, mas em tópicos que teoricamente lhes ajudarão a desenvolverem o raciocínio e a visão crítica. E é nesse ponto que se esbarra nas dificuldades de natureza estrutural que muito se assemelha com as das escolas públicas brasileiras. Logicamente algumas dessas discussões acabam em bagunça e descontrole, como é muito comum nas escolas. Cabe ao professor saber medir o quanto seus alunos podem interferir, para não perder as rédeas da turma. O filme é feito para os fãs do gênero e é bastante recomendado aos que tem formação pedagógica por ser um filme altamente realista no cotidiano escolar. É como se o espectador fosse um estagiário observando as diversas aulas e refletindo sobre as decisões e atitudes do professor Marin. As polêmicas envolvendo discussões e dificuldades sociais dos estudantes são introduzidas na história tal qual na vida real, onde tais fatores podem influenciar no desempenho escolar.

Reunião de professores: Quem são os alunos mais bagunceiros?
A figura do professor Marin é de alguém que está desacreditado com a competência de seus estudantes. Tal fato fica bastante claro em muitos de seus atos, tanto na conversa com os alunos quanto com outros professores nas reuniões. O papel da escola reflete também o comodismo com a situação caótica em que se encontra o ensino. Não há uma preocupação de melhoria a longo prazo. Há uma ansiedade em resolver os casos mais graves de uma forma brusca. Não há um plano de motivação para os melhores alunos e sim um planejamento de penalidades para os piores. O que demonstra o pessimismo do corpo docente.
O papel da escola não é simplesmente passar conhecimentos didáticos. E sim de preparar os jovens para que, através de um raciocínio lógico, aprendam a ter senso crítico. O filme se abstém de recursos tipicamente cinematográficos e adquire um tom de documentário na maioria das cenas para demonstrar a crua realidade estudantil, acertando mais do que a maioria dos filmes do gênero no objetivo que propõe alcançar.
NOTA 8,0
CURIOSIDADES
1- Entre os Muros da Escola é o primeiro filme francês a ganhar a Palma de Ouro em Cannes desde 1987.
2- O filme foi indicado ao Oscar 2009 de Filme Estrangeiro sem seu principal rival, Gomorra (vencedor do Globo de Ouro). E mesmo o favorito sendo Valsa com Bashir, de Israel, os dois perderam para Departures, do Japão.
































