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quarta-feira, agosto 27, 2014

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO


(The Boy in the Striped Pyjamas)
Reino Unido-EUA/2008
De Mark Herman (Laura: A Voz de uma Estrela, Hope Springs)
Com Asa Butterfield, David Thewlis, Rupert Friend, Vera Farmiga
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0914798/?ref_=fn_al_tt_1
Drama

                Durante a Segunda Guerra Mundial, Bruno, um garoto de 8 anos, e sua família se mudam para uma casa que fica ao lado de um campo de concentração, onde o pai do garoto trabalha. Sem saber o real significado daquele lugar, Bruno sai escondido de casa e acaba fazendo amizade com um garoto judeu que está preso no campo.

Confira abaixo o trailer do filme:



               O filme, assim como o mais recente “A Menina que Roubava Livros” mostra os horrores da guerra através da visão de uma criança. Porém, neste filme de Mark Herman a criança em questão, interpretada pela grande revelação infantil atual, Asa Butterfield (“Ender’s Game: O Jogo do Exterminador” e “A Invenção de Hugo Cabret”) não tem discernimento do quão horrível ocorria nos campos de concentração e com a perseguição aos judeus na Segunda Guerra Mundial. Só que ao contrário de “A Vida é Bela”, o garoto não está dentro do campo e sim fora dele, além de ser um alemão e não um judeu.

 










Você viu um autômato por aí?

             A trama faz com que o espectador reflita toda hora sobre a brutalidade e obediência cega de uma população a um regime absurdo. O contraste da amizade entre duas crianças que estão em lados inimigos por uma questão sem sentido pode se mostrar assustadoramente trágica, em cada passo que o protagonista inocentemente faz. “O Menino do Pijama Listrado” torna-se um filme essencial pelo seu contexto histórico e pela lembrança de um período real que mais parece ficção.

NOTA 9,0

sexta-feira, julho 10, 2009

APENAS O FIM


APENAS O FIM
Brasil / 2009
Direção: Matheus Souza
Elenco: Erika Mader, Gregório Duvivier, Marcelo Adnet, Nathalia Dill, Anna Sophia Floch, Álamo Facó, Julia Gorman
Principais Prêmios: Melhor Filme e Menção Honrosa para Matheus Souza no Festival Internacional do Rio de Janeiro
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1424746/
Drama

Há cerca de quinze anos, o cinema nacional viveu o começo de um período que ficou conhecido como a Retomada. O reconhecimento internacional e o crescimento da área foram as principais características desse período, com abertura de novas faculdades de cinema e transição de diretores e atores famosos por seus trabalhos na televisão e teatro. Agora já se começa a colher os frutos desse desenvolvimento, com a revelação de novos talentos na área cinematográfica.
É o caso de Matheus Souza, estudante da PUC, que com uma admiradora coragem, resolveu fazer um filme aos 19 anos . Pediu favores aos amigos, arranjou equipamentos emprestados e de posse do roteiro e de um orçamento de menos de 8 mil reais (sim, é isso mesmo!) tocou um projeto que angariou prêmios e estreou no circuito comercial.
Em "Apenas o Fim", uma garota decide ir embora para um lugar desconhecido, se afastando de seus amigos, pra tentar uma nova vida. E na primeira cena do filme, vemos ela própria avisar ao namorado do término da relação. A partir daquele momento, os dois percorrerão os caminhos tortuosos ao redor da faculdade, fazendo um balanço do relacionamento, de suas personalidades diferentes, dos seus julgamentos pessoais.












Erika Mader e Gregório Duvivier: apenas o fim

Pode-se dizer que a trama é inspirada em "Antes do Pôr do Sol", de Richard Linklater. Mas tem uma forte individualidade, com sua veia mais pop que romântica, mais modernosa que clássica. Matheus adicionou ingredientes que rodeiam sua vida, seus gostos pessoais, com referência a música, games, filmes e lugares, que certamente terão forte identificação com toda uma geração.
Através dessas referências, ficamos conhecendo melhor as personalidades do casal. Ela é descolada, moderna, estilosa, bonita. Ele é nerd, com forte opinião sobre tudo e todos. Ele tenta convencer a namorada a mudar de idéia sobre a viagem. Ela é firme em sua decisão de acabar o relacionamento, porque nunca foi feliz com ele. Mas temos aqui uma busca por entendimentos, pequenos confrontos de personalidades norteadas por idéias ora diferentes ora semelhantes, mas que não mudam a decisão dos dois (ela a de se mudar, ele a de convencê-la do contrário).
Em meio a essas andanças, temos vários flashbacks do casal, na eterna busca pelo autoconhecimento. A presença do preto e branco nessas cenas forma um contraste bastante interessante com o colorido presente no limiar do rompimento. Esse contraste continua sendo importante em outras partes da trama.
Um belo trabalho, com boas atuações dos protagonistas Erika Mader (sobrinha de Malu Mader) e Gregorio Duvivier e com trilha sonora assinada por Marcelo Camelo, com grande inspiração no rock inglês, o que entra de acordo com a atmosfera do filme. Nessa época de definições para o cenário nacional, podemos nos deparar com a esperança de novos Linklaters, Tarantinos e Camerons em nossa cinematografia, sempre com uma visão personificada e original.

NOTA 9,0

sexta-feira, maio 15, 2009

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA
(Entre Les Murs)
França/2008
Direção: Laurent Cantet (Em Direção ao Sul, A Agenda, Sanguinaires - A Ilha do Fim do Milênio)
Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Juliette Demaille
Principais Prêmios: Indicado ao Oscar 2009 de Melhor Filme Estrangeiro, Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1068646/
Drama

A escola foi revivida na história do cinema de diversas formas, muitas delas marcantes. A luta contra o tradicionalismo e a liberdade de pensamento foram destaques em "Sociedade dos Poetas Mortos", talvez o melhor filme do gênero. A violência, preconceito e miséria nas salas de aula pode ser vista em "Mentes Perigosas" e "Ao Mestre com Carinho". Nesta boa trama, "Entre os Muros da Escola", vemos algo tão conflitante quanto os outros fatores já mencionados. Trata-se de algo vivido no dia-a-dia pela maioria dos professores: os diversos tipos de comportamento e personalidade dos alunos. Esse fator é dificultado ainda mais pela diferença de culturas e descendências.
A história mostra logo no início, através de uma reunião de professores, que o foco a ser seguido é a rotina diária de uma escola mediana francesa. Sem heroísmos exacerbados, discursos irreais e acontecimentos fantasiosos. Nada mais que o cotidiano de um grupo docente, protagonizado pelo professor de francês de uma turma marcada pela pluralidade. Há diversos arquétipos: desde o japonês que é o melhor da turma, passando pela orgulhosa representante de turma até os tradicionais bagunceiros que se sentam nas últimas fileiras.



A Escolinha do Professor Marin

As aulas de francês do professor François Marin são marcadas por um tom liberal, onde há uma grande interatividade com os alunos. Eles são incentivados a opinar sobre vários assuntos, não necessariamente da matéria, mas em tópicos que teoricamente lhes ajudarão a desenvolverem o raciocínio e a visão crítica. E é nesse ponto que se esbarra nas dificuldades de natureza estrutural que muito se assemelha com as das escolas públicas brasileiras. Logicamente algumas dessas discussões acabam em bagunça e descontrole, como é muito comum nas escolas. Cabe ao professor saber medir o quanto seus alunos podem interferir, para não perder as rédeas da turma. O filme é feito para os fãs do gênero e é bastante recomendado aos que tem formação pedagógica por ser um filme altamente realista no cotidiano escolar. É como se o espectador fosse um estagiário observando as diversas aulas e refletindo sobre as decisões e atitudes do professor Marin. As polêmicas envolvendo discussões e dificuldades sociais dos estudantes são introduzidas na história tal qual na vida real, onde tais fatores podem influenciar no desempenho escolar.




Reunião de professores: Quem são os alunos mais bagunceiros?

A figura do professor Marin é de alguém que está desacreditado com a competência de seus estudantes. Tal fato fica bastante claro em muitos de seus atos, tanto na conversa com os alunos quanto com outros professores nas reuniões. O papel da escola reflete também o comodismo com a situação caótica em que se encontra o ensino. Não há uma preocupação de melhoria a longo prazo. Há uma ansiedade em resolver os casos mais graves de uma forma brusca. Não há um plano de motivação para os melhores alunos e sim um planejamento de penalidades para os piores. O que demonstra o pessimismo do corpo docente.
O papel da escola não é simplesmente passar conhecimentos didáticos. E sim de preparar os jovens para que, através de um raciocínio lógico, aprendam a ter senso crítico. O filme se abstém de recursos tipicamente cinematográficos e adquire um tom de documentário na maioria das cenas para demonstrar a crua realidade estudantil, acertando mais do que a maioria dos filmes do gênero no objetivo que propõe alcançar.

NOTA 8,0

CURIOSIDADES

1- Entre os Muros da Escola é o primeiro filme francês a ganhar a Palma de Ouro em Cannes desde 1987.

2- O filme foi indicado ao Oscar 2009 de Filme Estrangeiro sem seu principal rival, Gomorra (vencedor do Globo de Ouro). E mesmo o favorito sendo Valsa com Bashir, de Israel, os dois perderam para Departures, do Japão.

sábado, maio 02, 2009

DÚVIDA

DÚVIDA
(Doubt)
EUA/2008
Direção: John Patrick Shanley (Joe Contra o Vulcão)
Elenco: Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Viola DavisPrincipais Prêmios: 5 Indicações ao Oscar, incluindo Melhor Ator (Philip Seymour Hoffman), Melhor Atriz (Meryl Streep), Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams e Viola Davis) e Melhor Roteiro Adaptado.
5 Indicações ao Globo de Ouro pelas mesmas categorias acima.
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0918927/
Drama

"-Você não tem prova alguma! (Padre Flynn)
-Mas tenho minha intuição. (Irmã Beauvier)"

John Patrick Shanley decidiu adaptar sua bem sucedida peça para o cinema e não poderia se munir de peças que se tornaram essenciais para o sucesso de "Dúvida". Philip Seymour Hoffman (Capote, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto) interpreta o padre Brendan Flynn, que se mostra contrário às regras impostas pela rígida diretora, a irmã Aloysius Beauvier, em um colégio tradicional. Esse embate fica ainda mais aguçado quando o colégio aceita seu primeiro aluno negro, Donald Miller, que torna-se próximo a Brendan.
Beauvier, através de sua peculiar observação e com a ajuda dos relatos da inocente irmã James, mostra-se convencida de que a relação entre o padre e o garoto podem ser mais íntimas do que parece. E decide usar todas suas forças para banir o padre da escola, mesmo não tendo evidências concretas de suas suspeitas.

















Streep e Hoffman: olha o que fizeram com a gente depois de "O Diabo Veste Prada" e "Capote"!

A trama gira em torno da força de opinião tanto de Beauvier quanto de Flynn. O espectador fica sem saber quem está com a razão tamanha a complexidade da personalidade de ambos. Mérito para o elenco envolvido. Meryl Streep (Kramer Vs Kramer, As Horas) mantém uma rigidez impenetrável em suas expressões, demonstrando sua intolerância com algumas atitudes que lhe parecem modernas demais para sua mente. É vista como aquela megera irmã, que é temida por todos os alunos cada vez que alguém não segue as tais regras. Hoffman apresenta um Brendan Flynn moderno, carismático, que as crianças vêem como uma antítese da diretora. Mas a acusação de assédio faz com que a balança favorável ao padre acabe pendendo para a irmã. A intuição de Beauvier é sempre levada em consideração contrastando com os métodos lógicos de Flynn, o que pode ser visto novamente como a luta entre o ultrapassado e o moderno. Essas diferenças fazem com que as opiniões se dividam. A figura da irmã James, interpretada por Amy Adams (Encantada, Jogos do Poder) se vê completamente dominada e manipulada pela diretora. Mas há também quem fique do lado do padre.















Meryl Streep: Não tenham dúvida de que castigarei vocês!

A história, até por ser adaptada de uma peça de teatro, parece se arrastar em algumas cenas, mas os diálogos longos e poucas mudanças de quadro servem para acrescentar um estilo de valorização dos personagens. O que faz todo sentido com o que Shanley tinha como objetivo. Mas quem parece roubar a cena, mesmo aparecendo por minutos na trama, é Viola Davis (Solaris, Syriana). A mãe do aluno supostamente assediado apresenta em poucas palavras um discurso altamente reflexivo e que demonstra a profundidade dos dilemas existentes na trama. Elementos como assédio, racismo, desigualdades sociais, intolerância religiosa e modernização da igreja, vistos como assuntos polêmicos, são postos em discussão, nunca com uma visão tendencionista, mas sim reflexiva. Afinal, o filme não é sobre certeza e sim, sobre dúvida.

NOTA 8,5

FIQUE DE OLHO!

1-Meryl Streep e Amy Adams repetirão a parceria no filme de Nora Ephron, intitulado "Julie & Julia", previsto para esse ano.

2-Philip Seymour Hoffman dirige e estrela a comédia romântica "Jack Goes Boating", previsto para 2011.

3-Viola Davis participa do filme State of Play, trama policial estrelada também por Russel Crowe, Ben Affleck, Helen Mirren e Jeff Daniels.

terça-feira, abril 21, 2009

O LUTADOR

O LUTADOR
EUA/2008
Direção: Darren Aronofski (Pi, Requiem Para um Sonho, Fonte da Vida)
Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood
Principais Prêmios: Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Canção (Bruce Springsteen) ; Indicado a 2 Oscar, de Melhor Ator (Mickey Rourke) e Melhor Atriz Coadjuvante (Marisa Tomei).
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1125849/
Drama

"O tempo passa e me dizem: ele devia parar, está acabado, é um perdedor, está desacreditado. Sabem, os únicos que dirão quando encerrar minha ação são vocês aqui."
Mickey Rourke, como Randy "The Ram" Robinson

A carreira de Mickey Rourke sempre foi recheada de polêmicas. De seu sucesso meteórico, consolidado por filmes como Nove e Meia Semanas de Amor e Coração Satânico, passando pela decisão de priorizar uma carreira nos ringues, o que gerou a desfiguração de seu rosto, passando por inúmeras plásticas. A partir de Sin City, ensaiou uma volta às grandes produções e ao sucesso em Hollywood. O diretor Darren Aronofski, por sua vez, virou ídolo cult com os premiados Pi e Requiem Para Um Sonho, tramas que se utilizam de uma atmosfera bizarra para discussões filosóficas e psicológicas. Seu terceiro filme, Fonte da Vida, seguiu o mesmo estilo, mas não sendo reconhecido por público e crítica. Darren, assim como Shyamalan, viu seu trabalho e potencial ser questionado pela primeira vez.















Mickey Rourke: nove e meia semanas de porrada!

Em "O Lutador", os dois experimentam a redenção em suas carreiras, tema esse bastante freqüente na trama do lutador que após recomendações médicas, se vê obrigado a abandonar aquilo que representa sua vida. Além disso, a relação com sua filha sempre foi abalada. E a mulher que ele mais deseja é a prostituta vivida por Marisa Tomei (em grande atuação, o que lhe valeu a indicação para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante).
Rourke interpreta um papel que reflete sua própria carreira, tendo brilhante desempenho alternando momentos de solidão e reconhecimento. A história em si é um apanhado de clichês do gênero. Tudo está lá: o impedimento de lutar, o abandono da família, a falta de adequação a novas atividades, o jeito incompreendido de ser, os discursos de redenção, etc. Mas a importância neste caso não está na história, que serve apenas como pano de fundo para os personagens, todos tentando achar um lugar no mundo, reféns do ambiente em que escolheram viver e de suas personalidades.















Calma! Isso aqui é apenas uma encenação!

Aronofski pode não ter inventado, mas conseguiu acrescentar novos ingredientes a uma trama que parecia estar batida. Ou pelo menos, deixou claro alguns sentimentos que no máximo, aparecem camuflados em histórias similares. A nostalgia de uma época que só é lembrada por poucos é percebida até pela trilha sonora, composta em sua maioria por um hard rock posto de lado pelo grunge do Nirvana, algo que o protagonista declara explicitamente. A falta de heróis e vilões, que se indefinem pelos múltiplos dilemas vividos pelos personagens.
A redenção do protagonista junta ator e personagem em apenas um arquétipo, misturando ficção e realidade, em um filme contado de forma simples e linear, por um reinventado Aronosfki, mas que consegue ao mesmo tempo complexidade e profundidade nos anseios e angústias de seus personagens.

NOTA 8,0

FIQUE DE OLHO

1-O próximo filme de Darren Aronofski é RoboCop, ainda em produção, previsto para estrear em 2010, com roteiro de David Self (Estrada para Perdição).

2-Mickey Rourke está escalado para 10 filmes até 2010, entre eles, 13, Sin City 2 e Homem de Ferro 2, todos previstos para estrear em 2010.

3-Evan Rachel Wood participará de Sucker Punch, novo filme de Zack Snyder (Watchmen), reiventando Alice no País das Maravilhas.

terça-feira, abril 07, 2009

FOI APENAS UM SONHO

FOI APENAS UM SONHO
(Revolutionary Road)
EUA-Reino Unido/2008
Direção: Sam Mendes (Beleza Americana, Estrada para Perdição, Soldado Anônimo)
Elenco: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Michael Shannon, Kathy Bates
Principais Prêmios: Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Atriz (Kate Winslet); Indicado a 3 Oscar, dentre os quais Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Ator Coadjuvante (Michael Shannon)
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0959337/
Drama / Romance

“Seria maravilhoso dizer que me arrependi. Seria fácil. Mas o que isto significa? Qual é o conceito de arrependimento quando você não tem outra escolha? É aquilo que você pode aguentar. E é isso. Ninguém vai me perdoar. Era a morte. E eu escolhi a vida”.

Sam Mendes sempre se destacou por ser um cineasta que retrata determinado grupo em meio ao tédio, sempre com um certo ar melancólico. "Beleza Americana" faz uma crítica ao estilo de vida americano e sua hipocrisia; "Estrada para Perdição" mostra o lado da máfia; "Soldado Anônimo" demonstra a expectativas de soldados para uma guerra que nunca acontece. Em "Foi Apenas Um Sonho", o diretor volta ao retrato da família suburbana, dessa vez revelando sonhos que são difíceis de se concretizar justamente por hábitos burocráticos de uma sociedade cheia de comodismos e falsas ambições.
DiCaprio interpreta Frank Wheeler, um funcionário público que ganha relativamente bem, mora em uma boa casa, tendo, portanto, uma vida bastante estável. Mas para ele e sua esposa April, atriz que abandonou a carreira depois do casamento, algo está faltando. Até que ela surge com a idéia de ambos recomeçarem suas vidas em Paris, realizando as aventuras que sempre sonharam e que tiveram que interromper.












DiCaprio e Winslet: vida pacata e tediosa

A partir de então, os valores presentes em nossa sociedade são discutidos, revelando preconceitos e ceticismos. Frank tenta se desvincular de suas obrigações mas sua estabilidade tende a ser mais forte que seu sonho. April é mais categórica e cobra atitudes do marido que ele por vezes reluta em seguir. Tal dilema é passado de forma assustadoramente realista, no qual muitos podem se identificar. Mais uma característica de Sam Mendes (na vida real, marido de Kate Winslet).
A intolerância da sociedade é simbolizada pelos vizinhos do casal, que não vê com bons olhos uma idéia "irresponsável" e "imatura". Para eles, a rotina previsível e ao mesmo tempo confortadora já está completamente adaptada às suas mentes. Não há mais espaço para transgressão das regras. E podemos perceber uma espécie de acomodação muito peculiar ao contexto de obras como 1984 e Admirável Mundo Novo.












Vamos para Paris? Mas sem essa de navio!

O roteiro, baseado no romance de Richard Yates, segue uma linha familiarmente melancólica e por vezes numa lentidão que pode incomodar. Afinal, o sarcasmo presente em outras obras do diretor não estão muito presentes nesta trama. Mas tal fato é compensado pela visão extremamente crítica e a interpretação eficiente da dupla de protagonistas ancorada por um bom elenco de apoio, com destaque para Michael Shannon e seu perturbado John Givings. "Foi Apenas Um Sonho" é um filme de reflexão. E para tirarmos a conclusão que sonhar é algo inerente a todos, sendo que o conceito de felicidade é bastante variável. E caso não se possa atingi-la, pelo menos é importante estar no caminho certo.

NOTA 8,0

FIQUE DE OLHO!

O novo filme de Sam Mendes, previsto para esse ano, é a comédia "Away We Go", com Maggie Gyllenhaal e Jeff Daniels, onde um casal viaja pela América procurando um lugar para morar e criar o bebê que esperam.

Leonardo DiCaprio reedita a parceria com Martin Scorsese e faz Shutter Island, no papel de um detetive que investiga o desaparecimento de uma assassina que fugiu de um hospital psiquiátrico.

Michael Shannon participa do remake do policial 13, junto com Jason Statham, Mickey Rourke, Ray Winstone e 50 Cent.

quinta-feira, março 26, 2009

FROST NIXON

FROST NIXON
(Frost Nixon)
EUA-Reino Unido-França/2008
Direção: Ron Howard (Apollo 13, Splash - Uma Sereia em Minha Vida, Uma Mente Brilhante, Cocoon, O Código da Vinci)
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Rebecca Hall, Sam Rockwell, Toby Jones
Principais Prêmios: Indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme e Melhor Ator (Frank Langela). Indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Ator (Frank Langela) e Melhor Diretor.
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0870111/
Drama

"Se o presidente faz, então não é ilegal"
Richard Nixon

Ron Howard é aquele típico cineasta de altos e baixos. Entre acertos, como "Uma Mente Brilhante" e "Apollo 13", observamos sempre alguma escorregada como o burocrático "O Código da Vinci". Desta vez, felizmente o diretor acerta a mão e presenteia o espectador com o filme político mais emocionante dos últimos tempos. Sem soar chato,como a sinopse talvez faça pensar. Afinal, o que poderíamos esperar de uma série de entrevistas do maquiavélico ex-presidente para um jovem repórter desconhecido? Temos aqui um verdadeiro embate entre um obstinado homem contra um orgulhoso veterano. E tal qual uma luta de boxe, um dos dois está sempre prestes a ser nocauteado. Frost é um repórter que começou sua carreira como comediante e resolveu bancar a tal série de entrevistas antes de qualquer acerto de contrato com alguma emissora de televisão. Para ele, era uma chance de ser respeitado e reconhecido de uma vez por todas. Para Nixon, dobrar o jovem rapaz era óbvio, obtendo respostas que poderiam fazer com que cativasse a população novamente e, quem sabe, levá-lo ao poder que começava a cobiçar. O duelo entre os dois começa antes mesmo das entrevistas propriamente ditas.















Nixon: votem em mim!

Michael Sheen, que interpreta David Frost, está acostumado com papéis emblemáticos, como o Tony Blair de "A Rainha". E seu personagem flui naturalmente, até porque, juntamente com Frank Langella (Richard Nixon), interpreta o papel na famosa peça de teatro que inspirou o filme. O elenco de apoio é fenomenal, recheado de astros como Rebecca Hall (Vicky Cristina
Barcelona), que interpreta uma das ajudantes de Frost; Kevin Bacon (Sobre Meninos e Lobos),
que faz Jack Brennan, homem que cuida dos negócios de Nixon mais parecendo um capanga do que um assessor; além de Toby Jones (o Truman Capote de Confidencial) e Sam Rockwell (o Robert Ford de O Assassinato de Jesse James contra o covarde Robert Ford).


















Nixon para Frost: quanto você quer pelas entrevistas?

O roteirista Peter Morgan já está acostumado com produções políticas, como A Rainha e O Último Rei das Escócia. Conseguiu estabelecer uma dinâmica na série de entrevistas que não permite que a trama fique monótona. A apresentação de cada um deles em separado, com suas virtudes e defeitos, estimula a curiosidade para o primeiro encontro da dupla. E a cada batalha travada em frente às câmeras, há alguma torcida por um dos dois, até mesmo por Nixon, brilhantemente interpretado por Langella, tornando a figura lendária de um crápula em um ser humano que ao mesmo tempo cativa e assusta. Por outro lado, Frost, considerado peixe pequeno para a equipe do político, acaba por tornar um punhado de entrevistas no julgamento que Nixon nunca teve. Pontos como Watergate e a guerra do Vietnã são repassados, tornando-se pontos-chave para a condenação moral de Nixon. Ron Howard, cineasta de comédias e aventuras, acaba por fazer vir a tona um sentimento de indignação por abuso de poder, decisões questionáveis e
corrupção, tão presentes naquela época como nos dias atuais.

NOTA 8,0

FIQUE DE OLHO:

Ron Howard lança esse ano seu próximo filme, Anjos e Demônios, baseado na obra de Dan Brown, com Tom Hanks novamente interpretando Robert Langdon.

Michael Sheen participa da terceira parte de Underworld, como Lucian, também interpretado por ele nas duas primeiras partes.

Sam Rockwell interpretará Justin Hammer em Homem de Ferro 2, em pré-produção.

sábado, março 14, 2009

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?
(Slumdog Milionaire)
Reino Unido-Índia/2008
Direção: Danny Boyle (Cova Rasa, Trainspotting, Extermínio, A Praia, Sunshine-Alerta Solar)
Elenco: Dev Patel, Ayush Mahesh Khedekar, Freida Pinto
Principais Prêmios: Vencedor de 4 Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. Vencedor de 8 Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Canção e Melhor Trilha Sonora.
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1010048/
Drama

“Se não existisse Rama e nem Alá, a minha mãe ainda estaria aqui”.

A história de Jamal, recheada de velhas fórmulas e pinceladas com esquemas originais de roteiro, é atualmente a grande sensação do cinema. Custando apenas 15 milhões de dólares (uma ninharia para os padrões americanos, apesar de ser uma fortuna para o Brasil), está lotando salas por todo o mundo. Só nos EUA, já arrecadou mais de 100 milhões de dólares. Mas a que deve tanto sucesso? Sem dúvida, a presença de um diretor com sede de tentar recuperar um prestígio abalado ajudou a alavancar o filme, aliado aos fatores de aproximação de Hollywood com a indústria de filmes da Índia, responsável pela maior produção de filmes do mundo. Danny Boyle, cineasta de filmes premiados, como Cova Rasa e Traisnpotting, experimentou nos últimos anos
alguns fracassos de público como o apenas razoável "A Praia" e o incompreendido Sunshine".
Não se prendendo a um gênero, mas a um estilo próprio, sempre tenta analisar as ambições humanas, seja através de uma maleta de dinheiro ou das drogas. Nesse caso, um garoto pobre tem a chance de ganhar o prêmio máximo de um programa de perguntas e respostas.
















Jamal: quer pedir ajuda aos universitários?

Em meio a desconfianças e com um propósito que não é exatamente o dinheiro, a vida de Jamal nos é apresentada através de suas respostas. Para cada pergunta certa no programa, há um episódio que explica o porquê de Jamal saber da resposta. Uma fórmula bastante criativa que constrói uma boa estrutura perante os traços melodramáticos e um tanto exagerados do roteiro, escrito por Simon Beaufoy.
Logo em sua primeira cena, o filme nos remete a um outro bastante famoso que também trata de miséria e redenção: Cidade de Deus. As tomadas de câmera são bastante semelhantes. No entanto, não soa como cópia e sim como influência, por mais que Boyle (que viu o filme de Fernando Meirelles umas quatro vezes) não revele. A persistência de Jamal em resgatar várias vezes do perigo sua amada Latika é digna de folhetim, mas torna-se interessante pela maneira não-linear de ser contada. Os vários caminhos que a miséria pode apresentar aos jovens também é discutida de forma parecida com o filme de Meirelles. Latika é a refém da violência extrema que percorre as favelas de Mumbai. Jamal é o exemplo de alguém que não escolhe o caminho mais fácil que se apresenta a ele, tenta se desvencilhar dos fortes laços da criminalidade que o rodeia. Seu irmão Salim é o que não resiste às tentações oferecidas, mergulhando no mundo do crime.
Outro aspecto do filme é o formato como foi idealizado, como se para apresentar ao mundo um estilo de filme de Bollywood, a indústria cinematográfica da Índia. Co-dirigido por Loveleen Tandan, extremamente musical, com atores do país, inclusive famosos como Anil Kapoor, que interpretou o apresentador do programa ao estilo "Who Wants To Be a Milionaire?". O resultado foram os prêmios no Oscar de melhor trilha sonora e canção, na qual concorreu com duas músicas.




Jamal e Latika: encontros e desencontros na Índia
Muitos falaram que as cenas da trama remetem a um deslumbramento e surpresa de um inglês à miséria existente na Índia. Na verdade, o que se vê é uma sátira ao estilo de vida dos países ricos, onde o consumismo é enorme. Exemplo de tal fato é a cena onde o casal de milionários americanos "confessam" sua verdadeira função ao se deparar com uma criança pobre: dar dinheiro. É nesse tom que a obra de Boyle mexe com as diferenças sociais, impondo a hipocrisia e indiferença de muitos ao que acontece nas grandes favelas do mundo.
Até pelo caminho que o filme percorre, seu final previsível não atrapalha, tal qual um final mirabolante poderia produzir tal efeito. Pela história de Jamal, o mundo pode (mais uma vez) ter a chance de abrir os olhos para grande parte da população do mundo que vive em condições precárias. E que não tem a chance nem de sonhar em ser um milionário.
NOTA 8,5

quarta-feira, março 11, 2009

O LEITOR

O LEITOR
(The Reader)
EUA-Alemanha/2008
Direção: Stephen Daldry (Billy Elliot, As Horas)
Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, David Kross, Jeanette Hain
Principais Prêmios: Indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção. Vencedor do Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante e do Oscar de Melhor Atriz (Kate Winslet).
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0976051/
Drama / Romance

"O que você seria capaz de fazer para esconder um segredo?"

Determinados acontecimentos ficam marcados durante anos, principalmente se tais fatos ocorrem durante a adolescência. É o que Michael Berg, de 15 anos, vivencia, após encontros furtivos com uma mulher bem mais velha que ele. A paixão logo se intensifica e Hanna Schmitz ensina os primeiros passos do amor para o jovem rapaz. Ele, em contrapartida, lê os mais variados livros para ela. Mas os conflitos gerados por situações comuns em sua idade faz com que eles briguem constantemente. E o repentino desaparecimento de Hanna acaba por aumentar ainda mais a importância dessa estranha relação. Ao longo dos anos, sua vida sempre será pontuada por este caso.















Literatura e amor juntos em "O Leitor"

Esses elementos fazem com que o filme de Stephen Daldry ganhe em profundidade e aproxime os dilemas dos personagens aos mais íntimos comportamentos humanos. Daldry já fizera algo semelhante em seus filmes anteriores, "Billy Elliot" e "As Horas". O cineasta, em seu terceiro filme, imprime um estilo único que mantém sua média impressionante em relação ao Oscar: três filmes, três indicações. Além de conflitos internos, o diretor costuma abordar as transformações passados pelos personagens ao longo do tempo devido a fatos chocantes na vida dos mesmos. A influência de decisões que dependem unicamente da personalidade dos envolvidos. Não chega a ser um profundo estudo psicológico, comparado aos clássicos de Ingmar Bergman, mas Daldry (que tem uma forte carreira teatral) prova que suas influências são enriquecedoras para a cena cinematográfica atual, ressaltando discussões pouco abordadas recentemente.
David Hare, mesmo roteirista de As Horas, adapta brilhantemente a obra de Bernhard Schlink, deixando escapar sentimentos e atitudes na hora certa, com diálogos que prendem a atenção até o final, sempre com um toque de suspense. O que não deixa de ser admirável para uma história que começa como "Lolita" às avessas. Mas tal começo é essencial para a empatia do protagonista perante o espectador. Até porque David Kross como o jovem Michael brilha em relação ao apagado Ralph Fiennes na fase adulta.
Ao propor falar sobre nazismo, a trama mostra dois lados antagônicos: os agentes, que participaram ativamente do relato, e os receptores, aqueles que estão apenas analisando os fatos, tentando entender as motivações daquelas pessoas que ao mesmo tempo se mostram simples e monstruosas. Mas a presença do tribunal não serve apenas para julgar crimes, mas simbolizar mais um dilema vivido por Michael. Apesar de estar ao lado dos receptores, sua vida também está sendo julgada de certo modo.




O Leitor: amor rodeado por culpa e omissão
Kate Winslet, que não precisa mais provar nada, interpreta de forma magnífica uma mulher simplória, que tem seus príncipios (altamente discutíveis) e misteriosa ao ponto de se tentar entender suas angústias, medos e ambições até a última cena. Cada fase de Michael que nos é apresentada, vemos a insegurança e arrependimento impressos em seu rosto. Como demonstrar para uma grande paixão que poderia ter sido diferente? E que os caminhos são trilhados baseados em decisões (às vezes equivocadas) na qual se pode pelo menos vir a tornar-se uma trilha de esperanças e devoções.

NOTA 9,0

segunda-feira, março 02, 2009

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON
(The Curious Case of Benjamin Button)
EUA / 2008
Direção: David Fincher (Alien 3, Seven, Clube da Luta, Vidas em Jogo, Zodíaco)
Elenco: Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P.Henson, Julia Ormond
Principais Prêmios: Indicado a 13 Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Brad Pitt) e Melhor Roteiro Adaptado.Vencedor de 3 Oscar, de Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais.
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0421715/
Drama

"Nossas vidas são definidas pelas oportunidades, mesmo aquelas que perdemos."

Esta fábula originária de um conto de F.Scott Fitzgerald foi considerada impossível de ser filmada durante vários anos. A trama de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo conforme o tempo passa até tornar-se um bebê, só seria possível com vários atores interpretando as diferentes fases do personagem. Mas com tecnologias modernas, algumas inclusive utilizadas por "O Senhor dos Anéis" como o "encolhimento" dos atores que interpretaram os hobbits, foi possível com que Brad Pitt fizesse parte de todas as fases de Benjamin Button (de velho a bebê). Tal feito fez com que o filme merecidamente ganhasse o Oscar tanto de maquiagem quanto de efeitos visuais.
Cate Blanchett interpreta a mulher por quem Button se apaixona e que, junto com sua filha, relembram numa cama de hospital (em meio ao furacão Katrina) a história da vida de Button. A filha lê o diário dele para a mãe e muitas surpresas acontecem tanto para elas quanto para o espectador. Pitt (indicado para o Oscar) demonstra a todo momento seu conformismo (ou seria uma rebeldia silenciosa?) com o terrível destino de ver todos a sua volta envelhecerem enquanto ele segue o caminho contário. O dilema existencial é o principal empecilho para que ele curta sua verdadeira paixão. Sentindo-se deslocado de todos ao seu redor, resolve partir para conhecer o mundo, novas culturas e ambientes. Mas na realidade ele tenta se encontrar e perceber como a natureza humana se comporta e como ele pode se encaixar neste mundo.















Brad Pitt: começando a andar com menos de 7 anos

O roteirista Eric Roth, que fez também Forrest Gump, apresenta traços caracteristicos muito semelhantes deste com Button. Os dois personagens tem um forte apelo materno, carecem de uma figura paterna, viajam ao redor do mundo, são diferentes em relação aos que o rodeiam.
A direção de David Fincher mostra uma atmosfera que relembra as fábulas sombrias de Tim Burton e reafirma sua ótima parceria com Brad Pitt, com quem fez Seven e Clube da Luta, além de aproveitar a empatia da dupla Pitt e Blanchett, que fizeram recentemente Babel. Fincher não precisava provar mais nada com sua ótima filmografia. Mas depois de duas obras primas e um filme no mínimo interessante (Vidas em Jogo), o diretor fez apenas os razoáveis "O Quarto do Pânico" e "Zodíaco", decepcionando alguns fãs. "O Curioso Caso" veio para relembrar aos críticos mais ardorosos que Fincher é um dos maiores cineastas de sua geração.




Brad Pitt no alto de seus quase oitenta anos
Ao longo de suas quase três horas de duração, o que vemos é uma história de amor que vence os aspectos da natureza, do tempo e da sociedade. E o aprendizado de um personagem que mostra que a maturidade é importante para se definir o curso de uma vida de aventuras e conquistas.

NOTA 9,5