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terça-feira, abril 19, 2016

QUALQUER GATO VIRA-LATA 2

(Qualquer Gato Vira-Lata 2)
Brasil/2015
De Marcelo Antunez e Roberto Santucci (Até que a Sorte nos Separe, De Pernas pro Ar, O Candidato Honesto, Loucas pra Casar)
Com  Cleo Pires, Malvino Salvador, Dudu Azevedo, Rita Guedes, Álamo Facó
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt4657092/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia

                Tati conseguiu conquistar Conrado e agora embarcam em uma viagem para Cancún. Lá, ela decide pedir ele em casamento e após ouvir um “posso pensar?”, acaba se decepcionando, abrindo espaço novamente para seu ex-namorado Marcelo.

Confira abaixo o trailer do filme:


               
             Roberto Santucci, rei da comédia nacional atual, assume a direção desta sequência, porém a utilização da mesma fórmula do filme anterior, apenas mudando o pano de fundo, acaba muito repetitiva. Se no primeiro filme, era interessante acompanhar um triângulo amoroso onde a protagonista ficava em dúvida entre o surfista folgado playboy e o arrumadinho estudioso antissocial, no segundo isso é repetido até a exaustão.













Poderia ser uma música do Fábio Jr...

                O filme se passa em Cancún, onde o trio de protagonistas se encontra, além dos coadjuvantes como a ex-mulher de Conrado, que rivaliza com ele no lançamento de um livro. As piadas continuam as mesmas, explorando a inexperiência de Marcelo e a falta de habilidades sociais de Conrado, além do vai e volta de Tati nos relacionamentos.
                O problema é a trama não trazer nada de novo, tornando-se apenas mais um caça níquel, considerando que o primeiro levou mais de um milhão de espectadores ao cinema. Talvez a cena mais interessante seja ironicamente a de Tati com o pai, interpretado por Fábio Jr., seu pai na vida real. E curiosamente não é uma cena de comédia, e sim um diálogo que remete até a história real dos atores.
                “Qualquer Gato Vira-Lata 2” acaba não acrescentando muito à franquia, nem a comédia nacional, uma vez que temos histórias mais interessantes como “De Pernas pro Ar”, do próprio Santucci. E pelo visto, uma terceira parte está fora de cogitação.

NOTA 4,0

quinta-feira, março 24, 2016

VAI QUE COLA: O FILME

(Vai que Cola: O Filme)
Brasil/2015
De César Rodrigues
Com Paulo Gustavo, Catarina Abdalla, Emiliano D'Ávila, Marcus Majella, Fiorella Mattheis, Cacau Protásio
Perfil no IMDB:   http://www.imdb.com/title/tt4694404/?ref_=fn_al_tt_2
Comédia

                Valdomiro é um empresário que depois de ter sofrido um golpe do sócio, tem sua vida boa no Leblon interrompida, tendo que morar em uma pensão no Méier. Porém, ele tem uma chance de retomar sua antiga vida.

Confira abaixo o trailer do filme:


               
                   O filme foi um sucesso de bilheteria no ano passado e consagrou mais uma vez a já famosa série do Multishow. Paulo Gustavo engrena mais um sucesso depois de "Minha Mãe é uma Peça", sendo um dos maiores nomes da comédia nacional ultimamente.











Será que me convidam para o filme do Porta dos Fundos?

                A trama gira em torno dos personagens principais da série homônima, que se vêem dessa vez hospedados na antiga casa de Valdomiro no Leblon. Com isso, a pensão do Méier não é o local principal da história, dando uma dinâmica diferente.
                Como já esperado, Paulo Gustavo rouba a cena, inclusive com o recurso de quebra da quarta parede, ou seja, fala com o público e induz que sabe que tudo aquilo é um filme. As cenas são hilárias e o roteiro, capitaneado por Fernando Caruso, tem altos e baixos, porém consegue fugir de alguns clichês.
                "Vai que Cola: o Filme" não apresenta nenhuma inovação na comédia nacional, porém é um filme divertido e que faz juz à série de TV. Com o sucesso que fez, provavelmente teremos uma sequência.

NOTA 7,5

quinta-feira, janeiro 28, 2016

O MENINO E O MUNDO

(O Menino e o Mundo)
Brasil/2013
De Alê Abreu (Garoto Cósmico)
Com Vinicius Garcia, Felipe Zilse, Alê Abreu, Lu Horta, Marco Aurélio Campos
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com.br/title/tt3183630/?ref_=fn_al_tt_1
Animação

                            Um pequeno garoto sai de casa e enfrenta o mundo, à procura de seu pai. No caminho, em meio a cidade grande, visualiza situações que não estava acostumado em sua humilde casa no campo.

Confira abaixo o trailer do filme:


             
              Com o anúncio dos indicados ao Oscar 2016, prêmio máximo do cinema mundial, o Brasil não viu seu candidato “Que Horas ela Volta?” ser indicado a filme estrangeiro, porém comemorou muito a surpreendente indicação de “O Menino e o Mundo” na categoria melhor animação, concorrendo com sucessos de bilheteria (Divertida mente) e de crítica (Anomalisa, de Charlie Kaufman).











Onde está Wally?

                             O filme brasileiro, que ainda desbancou favoritos como “O Bom Dinossauro”, conta a saga de um menino à procura do pai, que saiu de casa em busca de melhores condições de vida. Em sua viagem, o garoto se depara com o mundo nunca visto por ele, impiedoso no avanço do capitalismo, que parece espremê-lo a cada cena.
                             O espectador se depara com traços simples para uma animação de hoje em dia, porém com um conteúdo altamente crítico e universal. Não à toa, a história é contada sem falas, rompendo a dependência de linguagem. Os poucos diálogos entre os personagens são ditos em português ao contrário (assim como as informações nas placas) e são compreensíveis pelos gestos e expressões. O nome do menino, por exemplo, é Oninem.
                             A trilha sonora, igualmente povoada por sons independentes de idioma, também é fundamental neste universo criado por Alê Abreu, um manifesto em forma de animação que cria muitas reflexões para o espectador. Os traços simples, indo na contramão dos preceitos hollywoodianos das modernas animações, ainda dialoga de forma brilhante com a mensagem da trama, o de um menino simples descobrindo um mundo capitalista, complexo e muitas vezes hostil.
                             “O Menino e o Mundo” é uma pequena pérola da animação não só brasileira, mas mundial e de forma merecida se põe lado a lado de outra brilhante animação deste ano, Divertida mente. Porém, assim como o menino perante o mundo, ganhar o Oscar pode ser um passo muito maior do que podemos conseguir por enquanto.

NOTA 9,0

quarta-feira, agosto 26, 2015

A VIDA PRIVADA DOS HIPOPÓTAMOS

(A Vida Privada dos Hipopótamos)
Brasil/2014
De Maíra Buhler e Matias Mariani (Fios de Ovos, Ela Sonhou que eu Morri)
Com Christopher Kirk
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com.br/title/tt3956754/?ref_=fn_al_tt_1
Documentário

                O americano Christopher Kirk, que atualmente encontra-se em uma prisão brasileira, conta suas histórias pela Colômbia e seu envolvimento com uma misteriosa mulher.

Confira abaixo o trailer do filme:


               
               Este documentário brasileiro busca mostrar um sujeito supostamente com muitas histórias para contar e que ninguém conhece. O filme é bem produzido e mescla as histórias de Christopher, que conta cada história inconcebível na prisão onde está em São Paulo, com fotos e vídeos tirados de seu computador.













Sabe o que tem mil e uma utilidades?

                O problema é que não há uma história digna de se virar documentário. A figura de Christopher Kirk a princípio parece ser  interessante e misteriosa, mas logo cai por terra em um discurso enfadonho e que leva o espectador por cerca de uma hora e meia a nenhum caminho.
                O discurso da mulher misteriosa que o enganou ocupa boa parte da trama, mas não mostra motivos pelo qual está encaixada na história. Nada parece fazer algum sentido para que essa história tenha virado filme.
                O que vemos em todo o longa é simplesmente um apanhado de histórias sem propósito e que não fazem com que o espectador tenha atenção suficiente para embarcar no filme. E ainda tentam fazer uma analogia novamente sem propósito com hipopótamos, talvez só para que o nome seja mais interessante. Pelo menos isso parece que funcionou, pois o título chama mais a atenção do que o filme inteiro.

NOTA 1,5

terça-feira, julho 28, 2015

QUALQUER GATO VIRA-LATA

(Qualquer Gato Vira-Lata)
Brasil/2011
De Tomas Portella (Isolados, Desculpe o Transtorno)
Com Cleo Pires, Malvino Salvador, Dudu Azevedo, Rita Guedes, Álamo Facó
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1730133/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia

                No Rio de Janeiro, Marcelo termina com Tati no dia do aniversário dele, falando que ela não é romântica. Logo depois, Tati começa a ter aulas com um professor de biologia que tem uma tese bastante peculiar para o relacionamento entre homens e mulheres.

Confira abaixo o trailer do filme:


             
                Baseado na peça de Juca de Oliveira, o filme fez relativo sucesso, tanto que conseguiu uma sequência neste ano. Com uma premissa interessante, a trama parece não engrenar, pois esbarra em personagens caricatos, como o trio de protagonistas: a maluca Tati, o surfista Marcelo e o professor Conrado.












Quem vai se ver com o Fábio Jr.?

               Tendo estes três arquétipos, a história passa por atitudes totalmente inverossímeis de Tati, em comportamentos idiotas e estereotipados de Marcelo e um jeito totalmente clichê de ser professor de Conrado. E como se não bastasse, o personagem que faz o amigo de Marcelo é totalmente dispensável.  Nem as pontas escapam, como Gregorio Duvivier, que faz um tipo que qualquer um poderia fazer.
                A discussão de relacionamento entre homens e mulheres, que soa interessante na famosa peça, perde espaço para um enredo recheado de cenas de comédia pastelão, piadas sem graça e situações ridículas (sem ser hilárias), como a da boate no dia em que Tati e Marcelo se conheceram.
                “Qualquer Gato Vira-Lata” poderia ter passado despercebido nos cinemas se este gênero não fosse totalmente apelativo no país e não existisse a peça. Tomas Portella, que foi assistente de direção em produções do porte de “O Incrível Hulk” e “Ensaio Sobre a Cegueira”, poderia ter caprichado mais na condução do filme.

NOTA 4,0

sexta-feira, julho 10, 2015

ENTRE ABELHAS

(Entre Abelhas)
Brasil/2015
De Ian Sbf
Com Fábio Porchat, Irene Ravache, Marcos Veras, Luis Lobianco, Giovana Lancellotti
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3765088/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia Dramática

                Bruno é um jovem editor de filmes que está se divorciando de Regina e voltando a morar com a mãe. De repente, ele começa a parar de enxergar algumas pessoas.

Confira abaixo o trailer do filme:



             O filme, que tem premissa extremamente criativa, tenta apresentar ao público um gênero ainda pouco explorado no cinema brasileiro, o da comédia dramática. E para isso, o diretor do “Porta dos Fundos” Ian Sbf se junta a Fábio Porchat no roteiro e apresentam um enredo que mescla fantasia e com doses de humor vindos do elenco de coadjuvantes, com um Porchat bastante sério.













Tem preferência por algum nome na lata?

               A trama sem dúvida é interessante e todo o elenco está muito bem, com destaque para as tiradas de Irene Ravache. As situações que o protagonista se mete por conta do misterioso sumiço das pessoas de sua visão também é conduzido de uma forma ao mesmo tempo dramática e engraçada e prende a atenção do espectador.
                O problema do longa é tentar forçar a barra demais para parecer alternativo, inclusive em seu final abrupto demais e inconclusivo. O que vemos em cena é um protagonista atormentado com sua situação, mas não há elementos suficientes para discussões reflexivas ou camadas de profundidade que o filme parece cismar em querer  se enquadrar.
                “Entre Abelhas”, dessa forma, acaba ficando entre o popular e o alternativo, e não se encontrando em nenhum dos dois formatos, valendo apenas pelas ótimas interpretações e algumas situações hilárias, o que já vale para acompanhar a trama de cerca de 1h20 de duração.

NOTA 7,0

quarta-feira, julho 01, 2015

MEU PASSADO ME CONDENA: O FILME

(Meu Passado me Condena: o Filme)
Brasil/2013
De Julia Rezende (Ponte Aérea, Meu Passado me Condena 2)
Com Fábio Porchat, Miá Mello, Marcelo Valle, Inez Viana, Rafael Queiroga, Elke Maravilha, Stephan Nercessian
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3034258/?ref_=fn_al_tt_2
Comédia

                O imaturo e pão duro Fábio se casa com a pseudo-intelectual Miá. Os dois passam a lua de mel em um cruzeiro para a Europa. Só que dentro do mesmo navio, os dois encontram outro casal, um ex-namorado de Miá e uma colega de infância de Fábio.

Confira abaixo o trailer do filme:


           
              O filme continua a já tradicional  sequência de comédias românticas com forte apelo de público, tanto que ultrapassou os três milhões de espectadores. E ainda de quebra traz Fábio Porchat, que por si só, já é apelo para o público comparecer. O resultado que poderia ser outra trama genérica e sem graça, acaba por surpreender, estando acima da média das demais do gênero.













Estamos entre abelhas!

               Ambientada em um cruzeiro e com belas locações em Salvador, Marrocos e Itália, a trama traz poucos personagens, acertadamente, e consegue mirar no quarteto de protagonistas, os dois casais cujo reencontro fará com que Fábio e Miá tenham crises de ciúmes que abalam o relacionamento dos dois em plena lua de mel.
                A trama consegue estabelecer personalidade forte aos quatro personagens e ainda trazer dois coadjuvantes golpistas que rendem bons momentos. As piadas podem soar ora superficiais ora hilárias, causando uma instabilidade na história, mas em geral é um bom passatempo, que devido à grande bilheteria, conseguiu uma sequência que estreia esse mês ainda nos cinemas.

NOTA 7,0

segunda-feira, maio 18, 2015

CASA GRANDE

(Casa Grande)
Brasil/2014
De Fellipe Barbosa
Com Thales Cavalcanti, Marcello Novaes, Suzana Pires, Alice Melo
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3474994/?ref_=fn_al_tt_1
Drama

                Uma família de classe média alta passa por dificuldades financeiras e são obrigados a pensar em demitir os empregados. Enquanto isso, o filho adolescente, que está prestando vestibular, precisa se deparar com a nova realidade.

Confira abaixo o trailer do filme:


             
               O filme traz uma discussão bastante atual, de cunho político e econômico, tendo como caso específico o declínio de uma família rica, com um casarão no Itanhangá, no Rio de Janeiro. O que o espectador vê não é uma narrativa clássica. No início, com a apresentação dos créditos, em meio ao desligar das luzes de cada um dos cômodos da mansão, até a última luz em que é apresentado o nome do filme (um dos começos mais originais do cinema nacional). No final, com a impopular falta de clímax e cenas inconclusivas.












Pode me dizer como se anda de ônibus?

                A trama mostra a rotina da família, composta por um economista desempregado e uma professora de francês, juntamente com seus dois filhos adolescentes. O pai, interpretado por Marcello Novaes, é extremamente orgulhoso e não quer aceitar uma vida mais humilde. O filho tem atritos com o pai, que esconde cada detalhe importante que está acontecendo com a família.
                Quando o filho Jean  passa a namorar Luíza, garota de família mais humilde, os assuntos mais polêmicos passam a ser discutidos na trama, como as cotas na universidade. Essas discussões são pano de fundo pra os conflitos internos e externos de Jean, estudante do tradicional colégio São Bento, que está descobrindo certos aspectos da vida depois da nova situação que a família está passando.
                “Casa Grande”, apesar de ser um filme em que não há um fio condutor, mas sim um passeio pela vida de seus personagens, abre espaço para muita reflexão e até mesmo certa identificação com as situações bastante reais e intimistas dos personagens. O estreante em longas Fellipe Barbosa mostra que possui estilo.

NOTA 8,5

sexta-feira, maio 15, 2015

A ESTRADA 47

(A Estrada 47)
Brasil-Itália-Portugal/2013
De Vicente Ferraz (El último comandante)
Com Daniel de Oliveira, Sergio Rubini, Thogun, Francisco Gaspar, Ivo Canelas, Richard Sammel
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1841490/?ref_=fn_al_tt_1
Guerra

                Um grupo de pracinhas brasileiros que lutam na Itália na Segunda Guerra Mundial foge de seu posto de observação. Enquanto se deparam com um jornalista, um desertor italiano e um desertor alemão pelo caminho, eles decidem desarmar  a estrada 47, para possibilitar a passagem de tropas aliadas.

Confira abaixo o trailer do filme:


           
             O filme, vencedor do Festival de Gramado do ano passado, finalmente retrata a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, tema praticamente inexistente na filmografia do país. Para isso, o cineasta Vicente Ferraz (diretor e roteirista da trama), mostra um grupo de soldados em ação perto de Monte Castelo (principal local de batalha dos nossos pracinhas). O grupo pode soar bastante clichê, mas os personagens são tão bem trabalhados que acabam por conquistar o espectador.













Encontramos um bastardo inglório!

                O começo da trama é lenta e poderia ser melhor trabalhada, tanto nos diálogos quanto nas cenas iniciais que são o ponto inicial que motiva toda a trama. Passado esse momento inicial, o filme brilha com a ideia bastante interessante de um encontro entre desertores: os próprios brasileiros, um italiano e um alemão.
                Além disso, o filme mostra a todo momento os questionamentos sobre os motivos da existência de uma guerra e o papel do Brasil na empreitada. O filme claramente não aposta em muitas cenas de ação (comum na maioria dos filmes de guerra hollywoodianos) para discutir mais o relacionamento entre o grupo, os comportamentos diante de uma guerra e a personalidade de cada um dos personagens, se aproximando mais de filmes como “Além da Linha Vermelha”, de Terrence Malick.
                “A Estrada 47” prova que os filmes nacionais podem investir em outros temas. Pode haver falhas de roteiro, porém tecnicamente o filme é excelente, com destaque para a fotografia e direção de arte. Um filme que seria digno de Oscar de filme estrangeiro.

NOTA 9,0

quinta-feira, janeiro 08, 2015

MUITA CALMA NESSA HORA 2

(Muita Calma Nessa Hora 2)
Brasil/2014
De Felipe Joffily (Muita Calma Nessa Hora, E Aí...Comeu?, Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel)
Com Fernanda Souza, Débora Lamm, Andréia Horta, Marcelo Adnet, Alexandre Nero, Bruno Mazzeo
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2216536/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia

                A continuação do sucesso “Muita Calma Nessa Hora”. Desta vez, as amigas se reencontram em um festival de música no Rio de Janeiro.

Confira abaixo o trailer do filme:


             O primeiro filme de Joffily, que foi o início dessa franquia, já apresentava uma mistura de “Zorra Total” com “A Praça é Nossa”, mas tinha algumas ideias interessantes, tal como as personagens de Débora Lamm, como uma mulher avoada que vive segurando uma planta, e de Marcelo Adnet, como um paulista que é só abrir a boca pra se tornar hilário pro espectador. Porém, neste segundo filme, há repetição doque deu certo, e por isso mesmo, perde-se a originalidade e o sentido de ter uma continuação.












Vou te contar um segredo: eu que causei o fim dos Los Hermanos!

                A trama já começa equivocada, pois simplesmente não há enredo: são várias esquetes costuradas pela premissa de um festival de música. Os personagens mais interessantes do primeiro filme estão lá mas a história é tão pobre que nem eles salvam. O espectador mais parece que está assistindo um programa de televisão meia boca do que um filme.
                E as piadas nem se sustentam, caindo numa ingenuidade absurda que nem criança engole mais, ou ainda em velhas histórias que já foram repetidas mais de uma vez na televisão ou no cinema. Nem pode ser considerado clichê e sim mera repetição do que já aconteceu.
                “Muita Calma Nessa Hora 2” é sem dúvida o pior filme de Joffily, que acertou tanto no primeiro filme da franquia, quanto no razoável “E Aí...Comeu?”. Desta vez, ficou devendo muito para a comédia nacional.

NOTA 3,5

quarta-feira, outubro 08, 2014

DE MENOR

(De Menor)
Brasil/2013
De Caru Alves de Souza
Com Rita Batata, Giovanni Gallo, Caco Ciocler, Rui Ricardo Diaz
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2316573/?ref_=fn_al_tt_1
Drama

                Helena é uma advogada que é defensora de menores acusados de crimes. Sua rotina está entre a defensoria e cuidar de Caio, seu irmão de 17 anos. As coisas se complicam quando Caio é acusado de um crime.

Confira abaixo o trailer do filme:


               Um dos vencedores do Festival do Rio de 2013, o filme mostra em seus curtos 77 minutos de duração um painel do crime entre menores abandonados, o medo da situação carcerária para essa parcela da população e ainda a investigação, ainda que superficial, dos problemas econômicos e sociais enfrentados pelas famílias de alguns jovens que entram para o crime.












Você não é a Bianca?

                 O grande trunfo da trama é estabelecer uma interseção entre exercer a defesa dos menores e ser vítima deles, no retrato da protagonista Helena. E além disso, ela ainda vê o irmão envolvido em atos criminosos. O filme tem um contraponto interessante ao constatar que não é preciso ser pobre e nascer na favela ou até mesmo não ter uma família para entrar para o mundo do crime. Caio, jovem, loiro, de classe média, que poderia ter a irmã como exemplo, formada em advocacia,  parece se rebelar aos poucos.
                “De Menor” apresenta um tema não muito abordado pelo cinema nacional ultimamente e que está presente no cotidiano do país. Merecidamente premiado, só carece um pouco de um roteiro mais trabalhado que não dependesse unicamente de sua premissa e não assumisse quase um tom documental por falta de uma história com mais reviravoltas e uma conclusão mais impactante.

NOTA 8,0

terça-feira, setembro 23, 2014

O MERCADO DE NOTÍCIAS

(O Mercado de Notícias)
Brasil/2014
De Jorge Furtado (O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um Cara, Saneamento Básico – O Filme, Houve uma vez Dois Verões)
Com Eduardo Cardoso, José Roberto de Toledo, Geneton Moraes Neto
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3661594/?ref_=fn_al_tt_1
Documentário

                Um grupo de jornalistas conceituados são entrevistados para discutir a história e a importância do jornalismo em meio ao cenário brasileiro.

Confira abaixo o trailer do filme:



                    Jorge Furtado é sem dúvida um dos maiores diretores brasileiros em atividade. Ele fez a melhor comédia do cinema nacional (“Saneamento Básico”), o melhor filme sessão da tarde (“Houve uma vez Dois Verões”) e o melhor curta-metragem (“A Ilha das Flores”). Dessa vez, ele se aventura no documentário para tratar de um assunto que poderia ser muito chato, mas que nas mãos dele fica bem interessante.


















Como deve ser fazer a peça do Saneamento Básico?

                Furtado parte da peça “O Mercado de Notícias”, clássico do dramaturgo inglês Bem Jonson, de 1625, para contar a história do jornalismo. Ao longo do filme, trechos da famosa peça são mostrados, em meio a opiniões de renomados profissionais do ramo, que discutem o que significa a profissão para eles, além do impacto de se contar uma notícia para a sociedade.
                O documentário aborda temas como a edição de notícias, o controle da mídia perante a sociedade, suas inclinações políticas e econômicas e o quanto isso pode ajudar ou atrapalhar na transmissão da realidade para o público. E logicamente não poderia faltar a discussão sobre o futuro dos jornais físicos mediante o crescimento da internet e do fato de que todo mundo pode postar uma notícia na grande rede. Qual o papel do jornalista nesse mundo cada vez mais virtual?
                Ao longo de uma hora e meia de duração, tempo bastante adequado, o espectador consegue refletir sobre pontos que poderia nunca ter pensado, além de ficar sabendo de várias curiosidades. Os trechos da peça homônima, por mais que alguns diálogos possam ter sido por demais alongados no filme, torna-se mais um trunfo do cineasta, enriquecendo essa grande                 surpresa do ano nesse gênero no cenário nacional.


NOTA 9,0

segunda-feira, setembro 22, 2014

RIO EU TE AMO


(Rio eu te amo)
Brasil-EUA/2014
De Vicente Amorim (Transições), Guillermo Arriaga (“Texas”), Stephan Elliott (Acho que estou Apaixonado”), Sang-soo Im (“O Vampiro do Rio”), Nadine Labaki (“O Milagre), Fernando Meirelles (“A Musa”), José Padilha (“Inútil Paisagem”), Carlos Saldanha (“Pas de Deux”), Paolo Sorrentino (“La Fortuna”), John Turturro (“Quando não há mais Amor”), Andrucha Waddington (“Dona Fulana”)
Com Fernanda Montenegro, Regina Casé, Emily Mortimer, Vincent Cassel, Márcio Garcia, Marcelo Serrado, John Turturro, Jason Isaacs, Rodrigo Santoro, Wagner Moura, Tonico Pereira, Harvey Keitel
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1456606/?ref_=fn_al_tt_1
Drama

                O terceiro filme da série Cities of Love, que já homenageou Paris e Nova York. Desta vez, uma seleção de curtas que reverenciam o Rio de Janeiro, com histórias de drama, comédia e fantasia.

Confira abaixo o trailer do filme:



             Como a maioria dos filmes que reúne uma série de curtas dirigidos por cineastas diferentes, o resultado é irregular. O trunfo da trama é ter costurado mais cada história, sempre tendo passagens (dirigidas por Vicente Amorim) ligando os vários personagens de histórias diferentes, criando assim uma teia mais coesa do que os anteriores, “Paris, eu te amo” e “Nova York eu te amo”, que tinham curtas mais independentes uns dos outros.










Moço, onde fica a Central do Brasil?

                Os melhores curtas do filme são os dirigidos por Andrucha Waddington (melhor disparado), tendo uma grande interpretação de Fernanda Montenegro como uma mendiga que prefere morar na rua do que ter uma casa; o de Fernando Meirelles, no qual o personagem de Vincent Cassel persegue uma musa enquanto faz construções na areia; o de José Padilha, na qual um Wagner Moura possesso discute com o Cristo Redentor no meio de uma viagem de ultraleve; e o de Nadine Labaki, que mostra uma dupla (interpretada por ela e por Harvey Keitel) que se deparam com uma criança que pensa estar falando pelo telefone com Deus.
                Já os piores curtas são o de John Turturro, no qual ele faz parte de um casal que começa a discutir a relação, em uma história que mais parece saída da mente de seu amigo Woody Allen; e o de Sang-sso Im (o pior), que mostra um Tonico Pereira vampiro carnavalesco!
                Os outros são apenas regulares, como o de Carlos Saldanha (diretor de “Rio” e “A Era do Gelo”), na qual Rodrigo Santoro e Cléo Pires formam um casal de bailarinos se apresentando no Municipal (bonito, mas longo demais para o que se propõe); o de Guillermo Arriaga, que mistura luta livre com uma proposta indecente (interessante porém inconclusivo); o de Stephan Elliot, que mostra Marcelo Serrado conduzindo um ator mal humorado pelo Pão de Açúcar (belos cenários mas fantasioso demais); e o de Paolo Sorrentino (diretor de “A Grande Beleza”) que mostra um casal na praia conversando sobre sorte e o sentido da vida.
                “Rio eu te amo” é um ótimo exemplar que homenageia o Rio, porém as ideias bastante diferentes entre seus idealizadores parecem não torná-lo um filme coeso. De qualquer forma, o espectador consegue se divertir na maior parte do tempo, já valendo uma ida ao cinema.

NOTA 7,5

sexta-feira, setembro 05, 2014

ISOLADOS


(Isolados)
Brasil/2014
De Tomas Portella (Qualquer Gato Vira-Lata)
Com Bruno Gagliasso, Regiane Alves, José Wilker
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2391094/?ref_=fn_al_tt_3
Suspense

                Lauro e Renata vão passar uns dias em uma suntuosa casa na região serrana do Rio de Janeiro, local onde atualmente está ocorrendo uma série de crimes. Aos poucos, a vida do casal se transforma em um verdadeiro terror.

Confira abaixo o trailer do filme:



             O cineasta Tomas Portella tem uma grande experiência como assistente de direção em filmes de produção estrangeira como “O Incrível Hulk” e “Ensaio Sobre a Cegueira”. Nesta trama, ele finalmente eleva o suspense nacional a um patamar nunca antes visto no cinema nacional, com uma história que não fica nada a dever a outras do gênero no cinema estrangeiro, sem soar como filme trash e ainda com ótimas interpretações de um elenco respeitado.










Será que eu sou o grande herói?

                A atmosfera de suspense já começa pelo casarão no meio da floresta, que acaba virando uma espécie de protagonista da trama. O contraste entre o psiquiatra interpretado por Bruno Gagliasso e sua namorada neurótica vivida por Regiane Alves acaba sendo o grande trunfo da história.
                Tudo no filme é recheado de mistério, ajudado por uma ótima trilha sonora, e por cenas que não soam exageradas e que mais sugerem do que impactam. O espectador se vê mergulhado nos mistérios dos assassinatos, da personalidade tanto do médico quanto de sua namorada e ainda assiste a uma saga de sobrevivência angustiante.
                “Isolados” é um ótimo precedente para o cinema brasileiro começar a investir em gêneros estranhamente pouco usuais por essas bandas, tendo em vista a capacidade de criatividade e pioneirismo das histórias, além de não precisar de um grande orçamento. Um filme com seus habituais defeitos (iluminação e som, principalmente), porém necessário e surpreendentemente bom.

NOTA 8,5

quarta-feira, junho 25, 2014

O LOBO ATRÁS DA PORTA

(O Lobo Atrás da Porta)
Brasil/2013
De Fernando Coimbra
Com Milhem Cortaz, Leandra Leal, Juliano Cazarré, Fabiula Nacimento, Antonio Saboia
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2861532/?ref_=fn_al_tt_1
Policial

                Após o desaparecimento de uma garota de um colégio no subúrbio carioca, um delegado investiga o caso, descobrindo uma rede de segredos e mentiras envolvendo um triângulo amoroso entre a mãe da garota, o pai e sua amante.

Confira abaixo o trailer do filme:


           Um dos filmes nacionais mais premiados dos últimos tempos, o filme de Fernando Coimbra aproveita o ótimo elenco para contar uma história intrigante em um gênero muito pouco explorado no cinema brasileiro. O resultado é acima do nível, fazendo o espectador ficar com o olhar preso à tela esperando a conclusão dos acontecimentos.










Eu juro que eu não conheço o Capitão Nascimento!

                A partir de uma investigação policial, através de flashbacks, ficamos conhecendo a personalidade dos personagens principais. Os depoimentos dos envolvidos no entanto são imparciais logicamente e o espectador acaba percebendo que todos tem suas qualidades e defeitos.
                Como se fosse um quebra-cabeças, a história vai preenchendo cada mistério do caso, até compor um painel que explica o desaparecimento da garota. A conclusão da história não chega com ansiedade, pois em seu decorrer o espectador tem muito para se divertir, seja nos alívios cômicos de alguns personagens, ou ainda nas tomadas criativas da câmera de Coimbra, passando também pelas atuações irrepreensíveis de Milhem Cortaz e Leandra Leal. A trama tem os seus defeitos, como algumas cenas longas demais ou até mesmo dar um foco melhor em um ou outro personagem, mas nada que impeça a tensão no ar, característica primordial em um thriller.
                “O Lobo atrás da Porta” é um filme que não deixa nada a desejar em relação aos thrillers famosos hollywoodianos. E de quebra foge do lugar comum que o cinema nacional costuma cair como as comédias globais e os “favela-movie”, dando espaço finalmente a um cinema de autor.

NOTA 9,0

quarta-feira, junho 04, 2014

OS HOMENS SÃO DE MARTE...E É PRA LÁ QUE EU VOU!

(Os Homens são de Marte...e é pra lá que eu vou!)
Brasil/2014
De Marcus Baldini e Homero Olivetto (Psi, Bruna Surfistinha)
Com Mônica Martelli, Paulo Gustavo, Daniela Valente, Marcos Palmeira, Eduardo Moscovis, Humberto Martins
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3210830/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia

                Fernanda trabalha em uma agência que organiza casamentos, só que tem a frustração de não conseguir um casamento pra ela, mesmo com tantos homens que aparecem em sua vida. Porém, com cada um deles, parece vir junto alguma decepção.

Confira abaixo o trailer do filme:


              Baseado na peça que foi sucesso de público por anos, o filme consegue adaptar muita bem uma história do teatro para o cinema, melhor inclusive que sucessos recentes como “Minha Mãe é uma Peça”. A trama tem diversas cenas externas e para o espectador desavisado, nem dá pra desconfiar a origem da história.










Já contei pra vocês que minha mãe é uma peça?

               Mônica Martelli mostra a esperada segurança na personagem que está mais que acostumada a interpretar e demonstra ótima química com Paulo Gustavo, que rouba todas as cenas em que aparece. Certamente, os momentos mais hilários da trama são os que ele participa.
                De resto, o filme mostra-se como mais uma comédia que o cinema nacional adora fazer e que tem tudo para ser sucesso de público, apostando em um elenco conhecido e uma história que explora novamente o contraste entre os universos feminino e masculino.
                A fórmula pode parecer repetitiva, mas “Os Homens são de Marte...e é pra lá que eu vou!” apresenta a trama com segurança e bom humor, tendo em seus coadjuvantes, Paulo Gustavo e Daniela Valente, uma dupla de comediantes de mão cheia e que segura a maior parte das cenas e, consequentemente, a atenção do espectador. Nada espetacular, não vai ficar na memória do público, mas um bom passatempo.

NOTA 7,0

segunda-feira, maio 19, 2014

GETÚLIO


(Getulio)
Brasil/2014
De João Jardim (Janela da Alma, Pro Dia Nascer Feliz, Amor?)
Com Tony Ramos, Drica Moraes, Clarisse Abujamra, Alexandre Borges, Daniel Dantas
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt3046062/?ref_=nv_sr_1
Drama

                A história investiga os 19 dias que precederam o suicídio de Getúlio Vargas, no qual a instabilidade política emergia depois do estopim do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, inimigo político do presidente.

Confira abaixo o trailer do filme:



                 A trama do habitual documentarista João Jardim investiga a fundo os acontecimentos entre os tiros do atentado a Lacerda e o tiro de suicídio de Getúlio Vargas. Mais do que os eventos políticos que ocorreram, e que são cheios de intriga e mistério, o cineasta mostra a intimidade do presidente, suas relações com a família e com seus comandados diretos.













Ah se eu fosse você...

                O filme tem seu grande trunfo em Tony Ramos. O veterano ator praticamente encarnou Vargas do início ao fim. A câmera de João Jardim capta cada expressão e cada gesto do protagonista. A sucessão de fatos e a recepção por parte de Vargas gera um painel para o espectador que se assemelha a uma bomba relógio, causando a tensão de uma boa trama de suspense.
                O caráter histórico do filme também ganha destaque, com o espectador vivenciando a posição política de vários personagens importantes da história brasileira como Café Filho e Tancredo Neves, aliados do presidente. Quanto a oposição, capitaneados por um Lacerda enérgico e contundente, muito bem interpretado por Alexandre Borges, ajuda a mostrar a pressão que ocorria na época. No lado familiar, Drica Moraes brilhantemente interpreta a filha de Vargas, o tempo todo ao lado do pai.
                O Palácio do Catete aparece como o segundo personagem mais importante da história. O diretor capta todos os cantos do palácio, percorrendo a suntuosa sede da presidência. O tom documental aparece por vezes exagerado e algumas cenas parecem ter sido minimizadas por causa de orçamento, porém nada que atrapalhe muito o filme, que já desponta como um dos melhores nacionais do ano.

NOTA 9,0

quinta-feira, dezembro 19, 2013

CRÔ: O FILME

(Crô: O Filme) 
Brasil/2013 
De Bruno Barreto (Flores Raras, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Última Parada 174, O Que é Isso Companheiro?) 
Com Marcelo Serrado, Tiago Abravanel, Carolina Ferraz 
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2938008/?ref_=fn_al_tt_2 
Comédia 

 Depois de herdar uma fortuna de sua antiga patroa, Crô não consegue mais uma realização pessoal e para isso, decide voltar a ser mordomo. Durante as entrevistas para patroa, o caminho dele se cruza com a de uma mulher que mantém junto com o marido uma fábrica cujo trabalho é praticamente escravo.

Confira abaixo o trailer do filme:


                Baseado em um personagem de novela, a trama só não é novelesca por causa da direção de Bruno Barreto, que por vezes, traz uma atmosfera que lembra alguns filmes de “Os Trapalhões”. De quebra, temos ainda uma alusão e crítica ao trabalho escravo que existem em várias partes do mundo, e mais especificamente no Brasil em relação aos imigrantes que vêm de países pobres como Bolívia e Peru.











O que é isso, companheira?

                Logicamente o filme trata-se de uma comédia escrachada, então não há muito espaço para situações dramáticas e nem muito complexas. O que sobra é um bando de piadas sem graça, participações de estrelas globais como Ivete Sangalo e Ana Maria Braga e cenas que só não cansam porque o filme só tem 1h20min de duração.
                Ainda assim, “Crô” surpreende por ter algum fiapo de roteiro, ao contrário de filmes como “Os Penetras” e “O Concurso”. E não é completamente desastroso mais pelo talento de Marcelo Serrado, que claramente improvisa em várias cenas, e do diretor Bruno Barreto, que tira ouro de pedra numa comédia que tinha tudo para ser completamente esquecível.

NOTA 5,5

quinta-feira, dezembro 05, 2013

SOMOS TÃO JOVENS

(Somos Tão Jovens)
Brasil/2013
De Antonio Carlos da Fontoura (No Meio da Rua, Espelho de Carne)
Com Thiago Mendonça, Laila Zaid, Bruno Torres, Daniel Passi, Marcos Breda, Bianca Comparato
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2215537/?ref_=nv_sr_1 
Drama

 A trajetória de Renato Russo quando ainda dava aulas de inglês, sua primeira banda, Aborto Elétrico, junto com os irmãos Fê e Flávio Lemos até a formação de sua banda de maior sucesso: Legião Urbana.

Confira abaixo o trailer do filme:


                Toda biografia é alvo de polêmicas de uma forma ou de outra, a menos que seja muito boa devido grande parte a incorporação do protagonista ao homenageado ou que seja indiferente por fugir a todas as polêmicas possíveis. “Somos Tão Jovens” está mais para a segunda opção. A interpretação de Thiago Mendonça é bastante fiel porém não a ponto de impressionar e a história se resume a um período pré-Legião Urbana, em que Renato ainda tentava ganhar dinheiro com música. O mais interessante no filme são as retratações dos músicos naquela época, com todos os trejeitos dos jovens Herbert Viana, Dinho Ouro Preto, Flávio Lemos, Fê Lemos, Marcelo Bonfá, etc.

 











Vou mandar um punk acústico aqui!

                A vida pessoal de Renato é abordada mais profundamente apenas em uma amizade de infância com uma garota, no qual tanto a convivência quanto as brigas influenciou o músico a compor o sucesso “Ainda é Cedo”. A transição do punk para um rock mais melódico também é interessante, o que juntamente com suas desobediências e conflitos, culminou no término do Aborto Elétrico. Do fim da banda, duas outras surgiram, nada menos que Capital Inicial e Legião Urbana.
                A trama acaba por resumir boa parte da convivência das bandas de Brasília antes do sucesso, pontuada por cenas de discussão familiar envolvendo o protagonista. Tem uma proposta mais intimista e específica que “Cazuza”, por exemplo. E nisso, consegue acertar pela simplicidade. Porém, falta força ao elenco e os conflitos de adolescente não dão muita profundidade ao filme.

NOTA 6,5

terça-feira, dezembro 03, 2013

O CONCURSO

(O Concurso)
Brasil/2013
De Pedro Vasconcelos
Com Danton Mello, Fábio Porchat, Anderson Di Rizzi, Rodrigo Pandolfo
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt2616114/?ref_=fn_al_tt_1
Comédia

                Quatro sujeitos de diferentes partes do país são aprovados para a última fase de um concurso para juiz federal que ocorre no Rio de Janeiro. Só que na véspera da prova, várias situações inusitadas acontecem, que podem prejudicar o desempenho dos candidatos.

Confira abaixo o trailer do filme:


                A trama parte de uma boa premissa para contar a tão batida história de uma noite só, muito utilizada em comédias do gênero “Se Beber, não Case”. O problema é que o roteiro é muito raso, com piadas bobas e elenco que parece funcionar no automático. A dupla Danton Melo e Fábio Porchat que funcionou no ótimo "Vai que Dá Certo” dessa vez se renderam a personagens extremamente caricatos: o primeiro fazendo um carioca previsível, golpista e “bon vivant”; e o segundo interpretando um gaúcho igualmente previsível, ou seja, escondendo suas preferências.










Dessa vez não vou sair pela porta dos fundos!

                 O início do filme parecia prometer: os quatro aparecem de forma bastante inusitada para realizarem a prova oral que vai definir quem será juiz federal. A grande pergunta é o que aconteceu na noite anterior para que eles aparecessem daquela maneira? O que poderia ser uma saga típica de grandes comédias tornou-se apenas simples respostas de poucas cenas.
                “O Concurso” é o típico filme que tenta se segurar no elenco e na premissa, mas que não consegue vingar em nenhum dos quesitos. Pelo contrário, dá margem a cenas ridículas até mesmo para comédias, como as caras e bocas de Sabrina Sato como uma atiradora de facas fanática por sexo e do amadorismo de vários coadjuvantes.

NOTA 3,0