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sexta-feira, dezembro 10, 2010

O GAROTO DE LIVERPOOL

O GAROTO DE LIVERPOOL
(Nowhere Boy)
Inglaterra-Canadá/2009
De Sam Taylor-Wood
Com Aaron Johnson, Kristin Scott Thomas, David Threlfall, Josh Bolt
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1266029/
Drama

A trama mostra a adolescência de John Lennon desde o reaparecimento de sua mãe, a descoberta do rock'n roll como válvula de escape para seus problemas familiares e o começo de sua amizade com Paul McCartney.

Confira abaixo o trailer do filme:



Sam Taylor-Wood acertou ao nem sequer mencionar o nome da banda mais famosa de John Lennon. Assim, descaracteriza a história como biografia, o que poderia ter gerado uma série de comparações desnecessárias. Preferiu contar a transição de um adolescente para a maturidade, permeado de problemas ao seu redor e que vê no rock um novo estilo de vida, algo que os outros julgam como rebeldia. O fato deste adolescente tornar-se o famoso John Lennon é justificado por seus atos, pensamentos e reflexões quando mais jovem. Ainda mais ao se lembrar das letras escritas pelo músico.














Seria John Lennon ou Elvis Presley?

A trama adquire cargas mais dramáticas (com eventuais toques de humor), sem apelar para a veracidade completa dos fatos ou enumeração de músicas famosas, fazendo com que o filme seja muito mais que uma biografia. Muitos podem se identificar com as situações conflitantes que o protagonista enfrenta, que mudou seus pensamentos e moldou a personalidade que todos conhecem.

NOTA 8,0

domingo, dezembro 05, 2010

VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS

VOCÊ VAI CONHECER O HOMEM DOS SEUS SONHOS
(You Will Meet a Tall Dark Stranger)
EUA/2010
De Woody Allen (Match Point, Hannah e Suas Irmãs, Vicky Cristina Barcelona, Poderosa Afrodite)
Com Gemma Jones, Anthony Hopkins, Naomi Watts, Josh Brolin, Freida Pinto, Antonio Banderas
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1182350/
Comédia/Romance

A história parte da separação de Alfie e Helena. Enquanto ela se reconforta com sua vidente, ele entra numa academia e arruma uma acompanhante com quem quer se casar. A filha deles, Sally, se apaixona pelo seu chefe Greg, mas é casada com um escritor fracassado, Roy, que se interessa por sua vizinha, a misteriosa Dia.

Confira abaixo o trailer do filme:



Woody Allen novamente acerta a mão nessa comédia romântica diferente de outras do gênero, mas semelhante aos seus outros filmes. O conflito entre vários personagens que estão muito próximos, além dos diálogos corriqueiros do cotidiano em detrimento da ação, são amrcas características do diretor.
Na trama, temos a veterana Gemma Jones envolvida com poderes ocultos ao enfrentar uma separação de um longo casamento; Anthony Hopkins enfrentando a velhice ao lado de uma prostituta que aceita se casar com ele, mas seus objetivos são discutíveis; Naomi Watts enfrentando uma paixão que pode não ser correspondida; Josh Brolin com um personagem que lembra muito o protagonista de Match Point em seus pensamentos e objetivos.















Naomi Watts: "Será que ele vai me dar bandeira?"

Apesar da trama ser bem coesa e o ótimo elenco funcionar muito bem, a história deixa um pouco a desejar em termos conclusivos, ou pela falta deles. No entanto, Woody Allen sabe dar seu recado, analisar a personalidade dos personagens e mostrar que não se precisa mencionar as conseqüências de certos atos para se deduzir o que pode acontecer. O importante nesse caso é mostrar o caminho percorrido por cada um deles. Nesse ponto, Allen continua sendo um mestre na arte de contar histórias.

NOTA 7,5

quinta-feira, dezembro 02, 2010

UM PARTO DE VIAGEM

UM PARTO DE VIAGEM
(Due Date)
EUA/2010
De Todd Phillips (Se Beber, Não Case!, Dias Incríveis, Escola de Idiotas)
Com Robert Downey Jr., Zach Galifianakis, Michelle Monaghan, Jamie Foxx, Juliette Lewis
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1231583/
Comédia

O executivo Peter Highman pretende atravessar o país para chegar a tempo de ver o nascimento de seu filho. Mas se vê obrigado a aceitar carona do excêntrico Ethan Tremblay, aspirante a ator, que o leva a situações absurdas durante a viagem.

Confira abaixo o trailer do filme:



O ótimo diretor de "Se Beber, Não Case!" acerta mais uma vez ao mostrar um road-movie de comédia, com situações inusitadas ao estilo das comédias existentes na década de 80. Os dois protagonistas conseguem expressar a profundidade necessária para o espectador perceber o absurdo das situações existentes na trama. Enquanto o personagem do ex-bad boy Robert Downey Jr. é um engravatado que só quer chegar em segurança ao seu destino, o de Zach Galifianakis é um maluco que a todo momento quer sair da rota por motivos discutíveis.

Robert: Posso ser o Homem de Ferro, mas não posso aguentar isso!

A diferença entre os dois ajuda a criar momentos bastante engraçados, porém não é um filme com situações muito hilárias. A comédia se origina a partir de tensões dramáticas, o que acrescenta profundidade à trama. Além disso, como todo bom road-movie, os personagens coadjuvantes que vão aparecendo só ajudam a enriquecer ainda mais o conflito entre os protagonistas.
Todd Phillips confirma seu potencial ao fazer essa comédia à moda antiga, com grande elenco. "Um Parto de Viagem" mistura cenas clichês com outras bastante criativas, mas é na força de seus personagens que a trama se diferencia de outras do mesmo gênero.

NOTA 8,0

terça-feira, novembro 30, 2010

ENQUETE - MELHOR FILME DA DÉCADA DE 80

1º) Guerra nas Estrelas: Episódio 5 - O Império Contra-Ataca - 28%
EUA/1980
De George Lucas
Ficção Científica


2º) Blade Runner, o Caçador de Andróides - 25%
EUA - Hong Kong/1982
De Ridley Scott
Ficção Científica

3°) O Exterminador do Futuro - 25%
EUA - Inglaterra / 1984
De James Cameron
Ficção Científica

4°) O Iluminado - 21%
EUA - Inglaterra/1980
De Stanley Kubrick
Terror

5º) ET - O Extraterrestre - 15%
EUA / 1982
De Steven Spielberg
Aventura

6º) Os Intocáveis - 15%
EUA / 1987
De Brian de Palma
Policial

7°) Era Uma Vez na América - 9%
Itália - EUA/1984
De Sergio Leone
Policial

8°) Amadeus - 9%
EUA / 1984
De Milos Forman
Drama

9°) Platoon - 6%
EUA - Inglaterra/1986
De Oliver Stone
Guerra

10°)Rain Man - 6%
EUA / 1988
De Barry Levinson
Drama

11º)Touro Indomável - 3%
EUA / 1980
De Martin Scorsese
Drama

12º)O Homem-Elefante - 3%
EUA / 1980
De David Lynch
Drama

13º)Ran - 3%
Japão - França / 1985
De Akira Kurosawa
Ação

14º)Hannah e Suas Irmãs - 0%
EUA / 1986
De Woody Allen
Comédia

15º)Fanny & Alexander - 0%
Suécia - França - Alemanha/1982
De Ingmar Bergman
Drama

segunda-feira, novembro 29, 2010

A SUPREMA FELICIDADE

A SUPREMA FELICIDADE
(A Suprema Felicidade)
Brasil/2010
De Arnaldo Jabor (Eu Te Amo, Eu Sei Que Vou Te Amar, Toda Nudez Será Castigada)
Com Marco Nanini, Elke Maravilha, Dan Stulbach, Maria Luísa Mendonça, Maria Flor, João Miguel
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt1720038/
Drama

No Rio de Janeiro do pós-guerra, a trama se desenrola em torno de Paulo, dos 8 aos 18 anos, que testemunha as brigas de seus pais por supostas traições, inicia-se na vida noturna através de seu boêmio avô e se apaixona por uma misteriosa jovem que tem uma vida dupla.

Confira abaixo o trailer do filme:



A volta de Arnaldo Jabor na direção de um filme (o último tinha sido o curta Carnaval, de 1990) é marcada pela nostalgia. Tanto com os personagens da trama quanto pela história em si, esbanjando influência de Fellini e seu "Amarcord". É só notar os traços carnavalescos, as figuras típicas como prostitutas, adolescentes descobrindo a sexualidade e críticas sutis à Igreja Católica.














A mulher misteriosa observada pelo protagonista!

A história de Paulo e o ambiente familiar que o cerca é até interessante, principalmente pelas interpretações de Dan Stulbach como o pai frustrado pela sua carreira de aviador mal sucedida e de Marco Nanini como o avô boêmio, que é a quase personificação da felicidade, algo ironicamente raro no filme. Mas Jabor percorre caminhos que parecem não levar a lugar algum, tornando o filme monótono, ultrapassado e com cenas que beiram o absurdo tão bem promovido por David Lynch, mas que aqui soam desnecessários e fora de sintonia com o roteiro.
Talvez o filme fosse tolerável se não passasse das duas horas de duração, tivesse uma linguagem mais direta e não fosse tão pretensioso. Jabor prova que sabe dirigir um grande elenco, mas não se rende à simplicidade e sim apela para cenas exageradamente líricas, que acaba com o naturalismo que o filme poderia ter.

NOTA 3,5

terça-feira, novembro 02, 2010

MACHETE

MACHETE
(Machete)
EUA/2010
De Robert Rodriguez (Um Drink no Inferno, A Balada do Pistoleiro, Era Uma Vez no México, Sin City, Planeta Terror)
Com Danny Trejo, Jessica Alba, Michele Rodriguez, Robert de Niro, Steven Seagal
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0985694/
Ação

Machete é contratado para participar de um atentado contra um candidato a senador que defende maior controle das fronteiras dos EUA, porém acaba envolvido em uma guerra muito maior do que imaginava.

Confira o trailer do filme abaixo:



Robert Rodriguez aproveita um dos trailers falsos passados no projeto Grindhouse (com seu amigo Quentin Tarantino) para transformá-lo em longa metragem. "Machete" tem todos os ingredientes que o diretor de "Balada do Pistoleiro" e "Planeta Terror" gosta. Um banho de sangue, mulheres semi-nuas, uma atmosfera de filme antigo e trash, além de ritmo ágil e diálogos marcantes.
O estilo de Rodriguez se confunde com o de Tarantino, e devido aos temas recorrentes do diretor (leia-se faroeste trash moderno), acaba por perder um pouco na originalidade. Não que isso seja problema em Machete, que diverte com seu emblemático protagonista, que interpreta o papel de "perseguido por todos" de uma forma que faz Jason Bourne ser uma criança assustada.














Só Steven Seagal pra duelar com Machete!

As cenas de ação nos remetem aos melhores trabalhos de Rodriguez, sempre com trilha sonora a la Kill Bill. Robert De Niro claramente se diverte com a interpretação do senador cuja principal promessa é colocar uma cerca elétrica para impedir os mexicanos de entrarem no país. E de quebra, vemos um gordo Steven Seagal como um traficante mexicano que também persegue o protagonista.
O projeto Grindhouse, com "Planeta Terror" e "À Prova de Morte", teve como principal crítica o fato de que os trailers falsos eram melhores que os dois filmes principais. Machete resgata a atmosfera proposta pelo projeto, a de uma homenagem aos filmes trash antigos, sendo relmente superior aos seus antecessores.

NOTA 8,5

segunda-feira, novembro 01, 2010

FEDERAL

FEDERAL
(Federal)
Brasil/2010
De Erik de Marmo
Com Selton Mello, Carlos Alberto Ricelli, Eduardo Dusek, Michael Madsen
Perfil no IMDB: http://www.imdb.com/title/tt0463311/
Policial

Um grupo de quatro policiais teoricamente incorruptíveis tem a missão de capturar um perigoso bandido, Beque Batista, que aterroriza Brasília.

Confira o trailer do filme abaixo:



Embarcando na onda de Tropa de Elite 2, o longa de Erik de Castro, finalizado em 2006, finalmente estréia no circuito. E o que poderia ser uma boa estratégia para alavancar bilheteria, acaba por não adiantar pela péssima qualidade de "Federal", ainda mais se compararmos com o filme de José Padilha.
Com baixo orçamento, restou ao diretor fazer uma espécie de sátira aos enlatados americanos da década de 70. Só que a trama não chega nem a ser engraçada para justificar os exageros de interpretação, falhas de roteiro e falta de coesão nas cenas.
Ricelli faz Vital, o policial que conduz um grupo de policiais honestos, formado por outros três, incluindo um Selton Mello irreconhecível, que ensaia uma crise existencial que beira o ridículo de tão forçada. O personagem do americano Michael Madsen parece ter sido criado só para ter um estrangeiro famoso no elenco. O único destaque é para Eduardo Dusek como o traficante canastrão Béque Batista.









Selton Mello: Capitão Nascimento genérico

Logo na primeira cena, vemos uma perseguição seguida de tortura que simplesmente não se encaixa com o restante da trama. E como se não fosse o bastante, temos golpes absurdos, com socos a meio metro de distância da vítima. Os diálogos são pobres, monossilábicos e quase nunca convencem como elemento dramático. O humor da trama é reservado ao policial Rocha, mas mesmo assim soa como uma peça solta numa trama que não engrena. Erik tem mesmo muito a aprender com Padilha sobre como fazer um filme policial.

NOTA 3,0